quinta-feira, 16 de julho de 2026
NEGÓCIOS

Irrigação impulsiona consumo de energia e fortalece o agronegócio em Goiás

Avanço da produção agrícola amplia demanda por eletricidade, estimula obras na rede e reforça a importância da infraestrutura para manter a competitividade do campo

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 15 de julho de 2026 às 23:01
Irrigação impulsiona consumo de energia e fortalece o agronegócio em Goiás

A agricultura irrigada vive um dos momentos de maior expansão em Goiás e, junto com ela, cresce também a necessidade de energia elétrica para manter a produção em funcionamento. Dados da Equatorial Goiás mostram que o consumo de energia destinado aos sistemas de irrigação aumentou 11% nos últimos três anos, refletindo o avanço da atividade em diversas regiões do estado e exigindo novos investimentos em infraestrutura para atender à demanda crescente.

O aumento acompanha a consolidação de Goiás como uma das principais referências nacionais em agricultura irrigada. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o estado possui atualmente 5.486 pivôs centrais em operação, equipamentos que permitem irrigar grandes áreas com eficiência e ampliar a produtividade agrícola mesmo durante os períodos de estiagem.

Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, lidera esse movimento. O município concentra mais de 74 mil hectares irrigados, uma das maiores áreas contínuas irrigadas do país, e tornou-se referência nacional na produção de grãos, café, hortaliças e sementes de alto valor agregado.

energia
Divulgação/ Faeg/ Senar

Energia se torna insumo estratégico

Se água é indispensável para a irrigação, a energia elétrica tornou-se o insumo que viabiliza todo o processo produtivo. Bombas, pivôs centrais, sistemas de automação, armazenagem, beneficiamento e refrigeração dependem de fornecimento contínuo e estável.

“O produtor precisa de duas coisas para produzir: água e energia elétrica. Sem energia, você não faz nada. Ela é fundamental para a irrigação, para a pecuária, para a armazenagem e para toda a produção”, afirma o presidente da Associação dos Irrigantes do Estado de Goiás (Irrigo), Luiz Carlos Figueiredo. 

Produtor em Cristalina, ele cultiva café, soja, milho, sorgo e aveia em aproximadamente 2,6 mil hectares irrigados. Segundo ele, o cenário mudou significativamente nos últimos anos. “Antes o grande desafio era conseguir disponibilidade de carga para instalar novos pivôs. Hoje percebemos uma evolução importante, principalmente nas ampliações das subestações e nas melhorias da rede. Mas a irrigação continua crescendo e exige investimentos permanentes”, destaca.

Clima amplia importância da irrigação

O crescimento da agricultura irrigada ocorre em um contexto de maior preocupação com eventos climáticos extremos.

Períodos mais prolongados de seca e distribuição irregular das chuvas têm levado produtores a investir em sistemas capazes de reduzir riscos produtivos.

Segundo especialistas do setor, a irrigação permite estabilidade na produção, maior produtividade por hectare e possibilidade de ampliar o número de safras anuais.

Além disso, favorece culturas permanentes de maior valor agregado, como café, frutas e hortaliças, que exigem controle rigoroso da disponibilidade hídrica.

Esse cenário fortalece uma cadeia que movimenta fabricantes de equipamentos, empresas de energia, fornecedores de tecnologia, prestadores de serviços e instituições financeiras voltadas ao crédito rural.

Infraestrutura será decisiva para o próximo ciclo

A perspectiva é de continuidade da expansão da irrigação em Goiás nos próximos anos.

Para acompanhar esse crescimento, novos investimentos já estão previstos na rede elétrica estadual.

Segundo o superintendente técnico da Equatorial Goiás, Roberto Vieira, a ampliação da infraestrutura busca garantir maior confiabilidade ao sistema elétrico.

“Nosso objetivo é fortalecer continuamente a infraestrutura elétrica da região, ampliando a capacidade de atendimento e oferecendo mais confiabilidade para que os produtores possam expandir suas atividades com segurança”, afirma.

Mais do que acompanhar o crescimento do campo, a infraestrutura energética passa a desempenhar papel estratégico na competitividade do agronegócio goiano. À medida que a irrigação avança e amplia a produção de alimentos, a capacidade de fornecer energia com estabilidade torna-se um dos principais fatores para sustentar novos investimentos, aumentar a produtividade e consolidar Goiás entre os maiores polos agrícolas do país.

 

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