segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Exportações

Restrições chinesas para carne bovina podem abrir outros mercados para Goiás

Exportações brasileiras para China atingiram a cota de 1,1 milhão toneladas de carne e novas exportações serão tributadas em 67%

João César Almeidapor em
Exportações
Preço no mercado interno pode sofrer redução, mas governo estadual espera abrir novos mercados exportadores - Foto: Wenderson Araújo

Os pecuaristas goianos podem sofrer uma mudança na dinâmica de exportação com a China. Após atingir a cota de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%, as exportações passaram a ser tributadas em 67%, tornando novas vendas economicamente menos atrativas. Essa ação restringe as exportações brasileiras em um número 35% menor do que foi exportado para o país asiático em 2025. 


A medida de proteção comercial entrou em vigor no dia 01 de janeiro deste ano, após ser anunciada pelo governo chinês em dezembro de 2025. A justificativa do governo chinês é a proteção dos pecuaristas e da indústria local diante do avanço das importações.

Essa iniciativa segue uma tendência de aumento de barreiras comerciais observada em outras economias. A União Europeia reforçou exigências regulatórias para produtos importados, os Estados Unidos ampliaram o uso de tarifas sobre parceiros comerciais como forma de proteger sua indústria.

Mercado interno pode sentir os efeitos 

Diante desse cenário, frigoríficos brasileiros têm reduzido o ritmo de abates, avaliam conceder férias coletivas aos funcionários e estudam alternativas para a produção que seria destinada ao mercado chinês. Com parte da carne permanecendo no mercado interno, especialistas avaliam que os preços podem recuar nos próximos meses.

Segundo o economista Carlos Thadeu, da BGC Liquidez, o aumento da oferta tende a refletir na inflação dos alimentos.

“Os preços já devem cair e impactar o mercado doméstico até agosto, com reflexos no IPCA de julho e agosto”, afirma.

Mesmo com a nova política comercial, a China continua sendo o maior destino da carne bovina brasileira. De acordo com dados do ComexStat, em 2025 o país asiático importou 1,68 milhão de toneladas, volume equivalente a 48% de todas as exportações brasileiras do produto.

Um levantamento da StoneX aponta que, até o fim de junho, 98,5% do volume autorizado já havia sido comprometido nos embarques. A projeção é de que o limite seja atingido em agosto, já que as cargas demoram cerca de um mês para desembarcar.


Estado busca novos mercados 

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Ademar Pereira, disse ao O HOJE que o impacto dessa barreira comercial afeta todo o País, visto que a China é a principal compradora da proteína nacional. Porém, apesar da gravidade da situação, é possível encontrar alternativas.

“A gente acredita que eles vão flexibilizar um pouco ou mesmo reduzir a taxa, em virtude da nossa competitividade do preço da carne, que é a mais barata do mundo”, comenta.

Mesmo assim, o titular da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) afirma que o encerramento da cota de exportação no meio do ano já ocasionou uma retração de 10% no setor. Para o mercado interno, o secretário prevê uma redução no preço da carne, mas alerta que isso deverá provocar um ajuste em toda a cadeia produtiva.

“Também haverá uma acomodação da produção, em virtude de a produção estar diretamente ligada ao incentivo do preço. […] Então nós vamos ter um ajuste, porque você não pode trabalhar mais barato do que o custo de produção”, pontua.

Para a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), embora o mercado de carne bovina possa apresentar uma queda pontual nos preços no curto prazo, esse movimento tende a ser limitado. Além disso, com o encerramento da safra de confinamento, a oferta de animais tende a diminuir ainda mais.

De acordo com a Federação, o Estado de Goiás destina entre 20% e 25% de sua produção de carne bovina ao mercado externo, participação relativamente inferior à de outros Estados exportadores. Nesse cenário, outros mercados podem ganhar força. Os Estados Unidos, segundo principal destino da carne bovina brasileira, além de países do Oriente Médio e da Rússia, surgem como alternativas para absorver parte desse volume.

O secretário Ademar Pereira também destacou que, após a abertura do mercado da Indonésia neste ano, o principal objetivo é alcançar Japão e Coreia do Sul, grandes consumidores que pagam os melhores valores e exigem rigorosas certificações sanitárias.

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