quarta-feira, 7 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Brasileiro economiza, e mercado de brechós dispara no país

Setor cresceu 32% em um ano e abriu mais de 2,5 mil empresas em 2026

Otavio Augustopor em
Brasileiro economiza, e mercado de brechós dispara no país
Divulgação

Comprar roupas usadas deixou de ser apenas uma alternativa para economizar e passou a representar um novo modelo de consumo e de negócios no Brasil. Impulsionado pela busca por preços mais acessíveis, pela preocupação ambiental e pela valorização da economia circular, o mercado de brechós vive um dos momentos de maior expansão da sua história. Entre 2024 e 2025, o número de estabelecimentos do segmento cresceu 32%, enquanto somente em 2026 foram abertas mais de 2.500 novas empresas em todo o país, consolidando os brechós como um dos setores mais dinâmicos do varejo de moda.

O crescimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passou a enxergar as peças seminovas não apenas como uma forma de economizar, mas também como uma alternativa sustentável diante do impacto ambiental da indústria da moda, considerada uma das que mais consomem recursos naturais e geram resíduos no mundo. Nesse cenário, estados como Goiás também acompanham o fortalecimento do segmento, impulsionado pelo aumento do empreendedorismo digital, das vendas pelas redes sociais e da profissionalização das lojas físicas.

Economia circular fortalece novo modelo de consumo

Para especialistas, o avanço dos brechós representa um dos principais exemplos da chamada economia circular, modelo baseado na reutilização de produtos, prolongando sua vida útil e reduzindo a geração de resíduos.

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Divulgação

Segundo a consultora de negócios do Sebrae-SP, Elaine Satomi, a expansão do setor está diretamente ligada ao fortalecimento desse conceito. Ao reaproveitar roupas, calçados e acessórios, consumidores e empreendedores reduzem o desperdício e movimentam uma cadeia econômica baseada na reutilização de bens já existentes.

Economia pesa na decisão de compra

Embora a sustentabilidade tenha ganhado importância, o principal fator que leva os consumidores aos brechós continua sendo o preço. Uma pesquisa do Sebrae-SP mostra que 71% dos consumidores apontam a economia como principal motivo para comprar em brechós. Outros 45% destacam a qualidade das peças e 43% afirmam que a sustentabilidade influencia diretamente a decisão de compra.

 

Na prática, a diferença de preços pode ser expressiva. Peças de grandes marcas que custam entre R$ 700 e R$ 1.000 no varejo tradicional são encontradas por menos de R$ 200 em lojas especializadas em seminovos. Essa vantagem se torna ainda mais relevante em um cenário de inflação acumulada e maior cautela das famílias com o orçamento doméstico, favorecendo modelos de consumo que conciliam qualidade e menor custo.

Redes sociais e vendas online ampliam alcance

A digitalização também impulsionou o setor. Instagram, TikTok, WhatsApp e plataformas especializadas transformaram a maneira como os brechós operam. Hoje, muitos negócios realizam transmissões ao vivo para vender peças, utilizam catálogos digitais e alcançam consumidores de diferentes estados.

Segundo levantamento do Sebrae-SP, apenas 40% dos consumidores compram roupas usadas pela internet, o que demonstra um amplo potencial de expansão do comércio eletrônico nesse segmento. Apesar disso, 84% ainda preferem realizar compras em lojas físicas, principalmente pela possibilidade de experimentar as peças antes da aquisição.

brechó
Ivanir Matos

Curadoria virou diferencial competitivo

Se antes os brechós eram associados apenas à venda de roupas usadas, hoje muitos estabelecimentos trabalham com peças de marcas premium, itens vintage e coleções exclusivas.

A mudança de posicionamento também alterou o perfil do consumidor. Jovens interessados em moda, pessoas que buscam exclusividade e clientes preocupados com o impacto ambiental passaram a frequentar esse mercado com maior frequência.

 

Casos de sucesso mostram o potencial econômico do segmento. Um estabelecimento na capital paulista, por exemplo, reúne mais de 5 mil peças em estoque, aumentou seu volume de negócios em mais de 500% desde 2019 e alcançou faturamento anual de aproximadamente R$ 3 milhões, resultado atribuído à curadoria rigorosa e à profissionalização da operação.

Goiás acompanha tendência nacional

Em Goiás, o mercado também acompanha esse movimento. O crescimento do empreendedorismo, aliado ao avanço do comércio eletrônico e ao fortalecimento da cultura do consumo consciente, favorece a abertura de novos brechós tanto em Goiânia quanto em cidades do interior.

Para especialistas do Sebrae, abrir um brechó hoje exige planejamento semelhante ao de qualquer outro negócio: definição do público-alvo, estratégia de precificação, controle de estoque, marketing digital e curadoria das peças são fatores decisivos para a competitividade.

 

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