quarta-feira, 28 de outubro de 2026
importação

Limite da China às exportações pode reduzir preço da carne no Brasil

Com a cota de exportação praticamente preenchida, frigoríficos avaliam reduzir abates e direcionar parte da produção ao mercado interno, o que pode pressionar os preços da carne

Micael Mourapor em
China
Foto: Governo de Goiás

O limite imposto pela China para a importação de carne bovina brasileira já começa a provocar reflexos no setor pecuário. Após atingir a cota de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%, as exportações passam a ser tributadas em 67%, tornando novas vendas economicamente menos atrativas.

Diante desse cenário, frigoríficos têm reduzido o ritmo de abates, avaliam conceder férias coletivas a funcionários e estudam alternativas para a produção que seria destinada ao mercado chinês.

Consumidor pode sentir queda nos preços

Com parte da carne permanecendo no mercado interno, especialistas avaliam que os preços podem recuar nos próximos meses.

Segundo o economista Carlos Thadeu, da BGC Liquidez, o aumento da oferta tende a refletir na inflação dos alimentos.

“Os preços já devem cair e impactar o mercado doméstico até agosto, com reflexos no IPCA de julho e agosto”, afirma.

Apesar da expectativa, analistas alertam que fatores climáticos, como a possibilidade de um forte fenômeno El Niño, ainda podem influenciar os custos de produção e limitar uma queda mais intensa.

China segue como principal comprador

Mesmo com a nova política comercial, a China continua sendo o maior destino da carne bovina brasileira.

Em 2025, o país asiático importou 1,68 milhão de toneladas, volume equivalente a 48% de todas as exportações brasileiras do produto.

Leia mais:

Segundo Theo Paul Santana, especialista em negócios Brasil-China, a medida não representa um fechamento do mercado, mas uma estratégia para controlar o ritmo das importações.

A regra, válida entre 2026 e 2028, estabelece limites de exportação para os principais países fornecedores com o objetivo de proteger os produtores chineses.

Frigoríficos buscam novos mercados

Para reduzir a dependência da China, empresas do setor tentam ampliar as vendas para mercados como Estados Unidos, Chile, México, Hong Kong, Oriente Médio, Sudeste Asiático, Rússia e Filipinas.

Apesar disso, representantes da indústria afirmam que nenhum desses destinos possui capacidade para absorver, no curto prazo, o volume atualmente comprado pelos chineses.

A Frigol informou que, mesmo com a diversificação das exportações, o excedente não consegue substituir integralmente a demanda da China.

União Europeia mantém exigências sanitárias

Além do cenário com a China, o setor acompanha negociações com a União Europeia, que exige maior controle sobre o uso de antimicrobianos em animais destinados ao bloco.

As exigências incluem rastreabilidade, segregação de lotes e documentação sanitária. No primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou 51,2 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, gerando receita de US$ 452,3 milhões.

O Ministério da Agricultura informou que as negociações com o bloco europeu continuam.

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