terça-feira, 6 de outubro de 2026
ECONOMIA

Produção industrial registra segunda queda seguida e recua 1,8% em junho

Resultado divulgado pelo IBGE interrompe parte do avanço registrado no início do ano, embora a indústria ainda acumule crescimento em 2026

Micael Mourapor em
Produção
Foto: Reprodução

A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho, na comparação com maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa a segunda queda consecutiva do setor, após o recuo de 0,9% registrado entre abril e maio.

De acordo com o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-BR), André Macedo, a retração dos últimos dois meses reduziu parte do crescimento acumulado no início do ano.

“A perda acumulada de 2,7% registrada nesses dois meses consecutivos de queda na produção eliminou parte do ganho de 4,4% verificado nos quatro primeiros meses de 2026”, explicou.

Apesar do desempenho negativo em junho, a indústria ainda apresenta resultados positivos em outras bases de comparação. Em relação a junho de 2025, a produção cresceu 1,7%. No acumulado de 2026, a alta é de 1,5%, enquanto o avanço em 12 meses chega a 0,7%.

Na média móvel trimestral, o setor registrou queda de 0,5%.

Maioria dos segmentos registrou queda

Dos 25 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 16 apresentaram redução na produção em junho.

Os principais recuos foram registrados nos seguintes segmentos:

  • Coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis: -5,9%;
  • Produtos químicos: -4,3%;
  • Produtos alimentícios: -1,9%;
  • Produtos farmoquímicos e farmacêuticos: -11%;
  • Confecção de artigos do vestuário e acessórios: -11%;
  • Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos: -8,9%;
  • Outros equipamentos de transporte: -8,6%;
  • Produtos de borracha e material plástico: -2,8%;
  • Indústrias extrativas: -0,6%.

Alguns setores tiveram crescimento

Entre os nove segmentos que registraram alta na produção, os principais destaques foram:

  • Celulose, papel e produtos de papel: 5,4%;
  • Impressão e reprodução de gravações: 20,2%;
  • Metalurgia: 1,4%.

Todas as grandes categorias econômicas recuaram

O levantamento do IBGE também aponta queda nas quatro grandes categorias econômicas da indústria.

O maior recuo foi observado nos bens de consumo semi e não duráveis, que caíram 4,1% em junho.

Na sequência aparecem:

  • Bens de consumo duráveis: -3,2%;
  • Bens de capital (máquinas e equipamentos): -1,1%;
  • Bens intermediários (insumos industriais): -1,1%.

Segundo o IBGE, o desempenho de junho interrompe parte da recuperação observada ao longo do primeiro quadrimestre, mas o setor industrial ainda mantém crescimento no acumulado do ano.

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