quarta-feira, 5 de agosto de 2026
ECONOMIA

Indústria brasileira recua, mas Goiás ainda mantém desempenho acima da média

A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho; Estado aguarda os dados regionais após registrar alta de 0,7% em maio

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 4 de agosto de 2026 às 19:34
Indústria
Especialistas apontam que a composição da indústria goiana pode amortecer os efeitos da desaceleração observada Foto: Divulgação/Secom

A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrando a segunda queda consecutiva na comparação mensal. Em Goiás, porém, ainda não é possível saber se o movimento também atingiu a indústria estadual, já que os dados regionais ainda não foram divulgados. O levantamento mais recente aponta um cenário diferente: em maio, enquanto a produção industrial brasileira caiu 0,2% em relação a abril, Goiás registrou crescimento de 0,7%.

Para o secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, Joel de Sant’Anna Braga Filho, a divulgação do levantamento regional será determinante para avaliar se a retração nacional também alcançou o Estado. Até lá, a avaliação da pasta é de que Goiás chega a esse momento com indicadores positivos.

“O que podemos dizer é que Goiás chega a esse momento com uma indústria que vinha apresentando desempenho superior ao nacional e com diferentes segmentos contribuindo para esse resultado”, destacou Sant’Anna Braga Filho ao O HOJE.

Desempenho estadual

Os dados disponíveis mostram que a indústria goiana apresentou crescimento de 0,7% em maio, na comparação com abril, enquanto a indústria brasileira recuou 0,2%. Na comparação com maio de 2025, Goiás avançou 3,9%, acumulando alta de 1,8% no ano e de 2,7% nos últimos 12 meses.

Na avaliação da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), esse desempenho foi sustentado pelo crescimento de oito dos 13 segmentos pesquisados pelo IBGE. Entre os destaques estão a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias; produtos de metal; coque, derivados de petróleo e biocombustíveis; produtos de minerais não metálicos; produtos farmoquímicos e farmacêuticos; além dos setores de celulose e papel, metalurgia e indústria extrativa. “Também tiveram importância produtos como álcool etílico, biodiesel e automóveis com motores a gasolina, álcool ou bicombustível.”

Segundo a secretaria, “isso demonstra que Goiás possui uma base industrial diversificada e cadeias produtivas que conseguem apresentar desempenho positivo, mesmo em um ambiente nacional mais desafiador”.

Menor impacto em Goiás

Enquanto os números regionais não são conhecidos, o economista Luiz Carlos Ongaratto avalia que a desaceleração observada no País está relacionada, principalmente, ao ambiente de juros elevados, que encarece o crédito e reduz investimentos e consumo.

Segundo Ongaratto, a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, de 14,25% até esta terça-feira, dificulta o financiamento de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, e também reduz os investimentos em máquinas e equipamentos. O economista acrescenta que problemas climáticos afetaram a produtividade da cana-de-açúcar e que a indústria química e petroquímica enfrenta dificuldades provocadas pela falta de alguns insumos, situação que provoca interrupções na produção e aumento dos custos.

Na avaliação do economista, “a indústria de Goiás sofreu menos por conta da sua característica: processamento de grãos, cana-de-açúcar, indústria farmacêutica e mineração. Esses setores tendem a ser mais estáveis, e a questão do agro tem o efeito da sazonalidade, com o início da safra da cana-de-açúcar”.

Apesar disso, Ongaratto avalia que a indústria goiana também enfrenta desafios diante do atual cenário econômico. “Diante do cenário de juros altos e da incerteza sobre o ritmo de consumo nacional, planos de expansão das fábricas goianas tendem a ser postergados”, afirmou.

O especialista acrescenta que o desempenho da indústria goiana nos próximos meses dependerá do processamento da safra e da evolução das exportações de carnes, complexo soja e minérios. Caso as exportações mantenham volume firme, explica, Goiás tende a amortecer a desaceleração observada nacionalmente.

No cenário brasileiro, a indústria nacional acumulou dois meses consecutivos de retração, reduzindo parte do avanço registrado nos quatro primeiros meses do ano.

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