Senador denuncia ameaças de ministros e articulação contra relatório da CPI
Relator da CPI do Crime Organizado nega falhas técnicas, fala em perseguição e critica interferência do Judiciário nos trabalhos da comissão
Bruno Goulart
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou ter sido alvo de ameaças diretas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o andamento da comissão. O parlamentar também atribuiu a rejeição de seu relatório final a uma articulação política dentro do Senado e negou que o parecer tivesse falhas técnicas ou jurídicas.
Segundo o parlamentar, as ameaças ocorreram publicamente, durante sessões do próprio STF. O relator da CPI cita os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. “O ministro Gilmar Mendes ameaçou com processo por abuso de autoridade, enquanto Dias Toffoli falou em cassação de mandato e inelegibilidade para quem critica o Supremo”, afirmou. Vieira disse que as declarações estão registradas em vídeos e notas taquigráficas da Corte.
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Além disso, o senador sustenta que seu relatório foi rejeitado por motivos políticos. De acordo com o parlamentar, houve substituição de integrantes da CPI durante a votação final, o que teria alterado o resultado. “Entraram senadores que não acompanharam os trabalhos e votaram remotamente contra o relatório”, declarou. Para Vieira, a derrota não ocorreu por problemas no conteúdo do parecer.
Político e sem base técnica
Por outro lado, ministros do STF e setores da imprensa classificaram o relatório como político e sem base técnica. Em resposta, o senador afirma que todas as conclusões estão fundamentadas em fatos públicos. Vieira também rebate críticas sobre a atuação da CPI, ao argumentar que comissões parlamentares têm prerrogativa para sugerir indiciamentos, como ocorreu em investigações anteriores.
Ao mesmo tempo, o parlamentar critica a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), a quem atribui omissão. Para o relator da CPI do Crime Organizado, o Congresso tem papel constitucional de fiscalizar outros Poderes. Nesse sentido, Vieira rejeita a ideia de conflito institucional. “Não existe crise entre os Poderes. O que há é uma crise de imagem causada por condutas individuais de ministros”, pontuou. (Especial para O HOJE)