segunda-feira, 20 de abril de 2026
Crise com o STF

Senador denuncia ameaças de ministros e articulação contra relatório da CPI

Relator da CPI do Crime Organizado nega falhas técnicas, fala em perseguição e critica interferência do Judiciário nos trabalhos da comissão

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 20 de abril de 2026
Senador Alessandro Vieira
Alessandro Vieira, relator da CPI, afirmou ter sido alvo de ameaças diretas de ministros do STF. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Bruno Goulart

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou ter sido alvo de ameaças diretas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o andamento da comissão. O parlamentar também atribuiu a rejeição de seu relatório final a uma articulação política dentro do Senado e negou que o parecer tivesse falhas técnicas ou jurídicas.

Segundo o parlamentar, as ameaças ocorreram publicamente, durante sessões do próprio STF. O relator da CPI cita os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. “O ministro Gilmar Mendes ameaçou com processo por abuso de autoridade, enquanto Dias Toffoli falou em cassação de mandato e inelegibilidade para quem critica o Supremo”, afirmou. Vieira disse que as declarações estão registradas em vídeos e notas taquigráficas da Corte.

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Além disso, o senador sustenta que seu relatório foi rejeitado por motivos políticos. De acordo com o parlamentar, houve substituição de integrantes da CPI durante a votação final, o que teria alterado o resultado. “Entraram senadores que não acompanharam os trabalhos e votaram remotamente contra o relatório”, declarou. Para Vieira, a derrota não ocorreu por problemas no conteúdo do parecer.

Político e sem base técnica

Por outro lado, ministros do STF e setores da imprensa classificaram o relatório como político e sem base técnica. Em resposta, o senador afirma que todas as conclusões estão fundamentadas em fatos públicos. Vieira também rebate críticas sobre a atuação da CPI, ao argumentar que comissões parlamentares têm prerrogativa para sugerir indiciamentos, como ocorreu em investigações anteriores.

Ao mesmo tempo, o parlamentar critica a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), a quem atribui omissão. Para o relator da CPI do Crime Organizado, o Congresso tem papel constitucional de fiscalizar outros Poderes. Nesse sentido, Vieira rejeita a ideia de conflito institucional. “Não existe crise entre os Poderes. O que há é uma crise de imagem causada por condutas individuais de ministros”, pontuou. (Especial para O HOJE)

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