segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Eleitores patriotas

Lula pode atrair um eleitorado atípico ao contrapor Trump

O petista provoca o republicano para avançar na pauta sobre soberania e pode atrair eleitores que, por questões patriotistas, não concordam com a política entreguista que favorece os EUA

Marina Moreirapor em
Lula

Sob a perspectiva de resgatar uma pauta fortemente vinculada ao bolsonarismo, o presidente do Brasil e pré-candidato ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se empenha em fortalecer o discurso da soberania com vista às eleições de outubro.

O petista não poupa energia ao levantar contrapontos a Trump de olho em um possível desgaste para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na corrida eleitoral para o comando do Executivo federal. 

Lula
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ambos pré-candidatos à presidência da República – Créditos: Divulgação Facebook e Ricardo Stuckert/PR

As expectativas quanto ao rebaixamento do primogênito do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), são baseadas no fortalecimento de Lula em 2025 diante da aplicação dos Estados Unidos de tarifas sobre mercadorias brasileiras, o que fez com que os pronunciamentos do chefe do Planalto em relação ao patriotismo e soberania ganhassem cada vez mais força. 

Nesse sentido, Lula chegou a afirmar, durante viagem à Europa encerrada nesta terça (21), que uma tentativa de intervenção do americano poderá ajudá-lo na eleição com o intuito de ter o mesmo respiro que teve quando reagiu às tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros vendidos para os EUA e, como consequência, houve o aumento da aprovação popular à gestão do petista. 

A sobretaxa foi articulada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro como forma de pressionar contra o julgamento do seu pai por tentativa de golpe de Estado. Jair Bolsonaro, porém, acabou condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Cenário desfavorável

A vontade de Lula para que Trump o ajude por meio de intervenções provavelmente tem ligação com a atual avaliação da população brasileira em relação à gestão do Executivo federal onde, de acordo com pesquisa Datafolha, 40% consideram o governo ruim ou péssimo, ante 29% que o classificam como ótimo ou bom e outros 29% que entendem que o trabalho feito é regular. O instituto ouviu 2004 eleitores de 16 anos ou mais entre 7 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. 

Lula
Créditos: Marcelo Camargo/ABr

Os índices considerados negativos sobre avaliação do presidente e do governo são atribuídos à inflação, ao endividamento das famílias e a escândalos como o do Banco Master e do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). 

Além da estratégia eleitoral relacionada a conflitos políticos com Trump, também é de interesse de Lula se contrapor a Flávio no tocante à relação do senador com os Estados Unidos. 

A intenção é mostrar o principal pré-candidato de oposição como alguém que compactua com os interesses do presidente americano. Na visão de especialistas, há a possibilidade de, com a estratégia adotada, Lula atrair um eleitorado atípico, mas que por questões patrióticas não concordam com a política entreguista defendida por Flávio. 

“Com certeza alguns eleitores que podem até não gostar do Lula, mas têm um sentimento mais patriótico e que não gostam do Trump, eles podem aderir ao petista por gravitação. Isso para o Lula é extremamente vantajoso, haja vista que o bolsonarismo está extremamente colado ao Trump”, avalia o estrategista político Marcos Marinho. 

Lula
Créditos: Joyce N. Boghosian_Official White House Photo e Jose Cruz/ABr

Acesse também: Caiado escolhe ex-ministro de FHC, Roberto Brant, para elaborar plano de governo à Presidência

Popularidade de Trump em baixa

De acordo com o estudioso em política, está cada vez mais difícil defender ações praticadas pelo presidente norte-americano e, por isso, os parlamentares brasileiros que apoiam Trump vão compor um grupo cada vez menor. 

“A rejeição a Trump aumentou muito de uns anos para cá e não há nenhuma demonstração que daqui até a eleição o republicano vá tomar alguma conduta diferente da que ele tem tomado até agora, pois são ações que se baseiam na invasão e em colocar o mundo cada vez mais em risco”, pontua. 

Lula
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos – Créditos: Official White House Photo by Andrea Hanks

O estrategista político afirma que não é uma ação acertada os pré-candidatos a algum cargo eleitoral fazerem associações com Trump. “Eu creio que se associar com o presidente dos EUA nas eleições desse ano não é nada positivo para o Flávio Bolsonaro, pois o republicano tem demonstrado falta de competência e de habilidade política”, ressalta Marcos Marinho em entrevista ao o HOJE. (Especial para O HOJE)

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