Seu cachorro pode ter doença no coração sem dar nenhum sinal; entenda
Veterinário alerta que cardiopatias afetam animais de qualquer idade e costumam evoluir sem sintomas visíveis até estágios avançados
Dez em cada cem consultas clínicas de cães e gatos envolvem doenças cardíacas. O dado, por si só, já seria suficiente para acender o alerta entre os donos. O problema é que, junto com a frequência, persistem equívocos que atrasam diagnósticos e pioram as chances de tratamento.
O médico-veterinário Kauê Ribeiro lista o primeiro deles: a crença de que cardiopatia é coisa de animal velho. Cães jovens também desenvolvem o problema, seja por predisposição genética ligada à raça, seja por malformações congênitas presentes desde o nascimento. “É verdade que muitos casos aparecem com o avanço da idade, mas isso não significa que animais jovens estejam livres de alterações cardíacas. Por isso, o acompanhamento veterinário ao longo de toda a vida é tão importante”, diz.
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O perigo do cachorro que parece saudável
A ausência de sintomas é outro ponto que engana. Boa parte das cardiopatias avança sem qualquer sinal perceptível ao dono, até que tosse persistente, desmaios e cansaço fora do comum já apontam para um estágio comprometido. O diagnóstico, muitas vezes, vem antes dos sintomas, durante uma consulta de rotina.
“Muitas cardiopatias são identificadas durante exames de rotina, antes mesmo de o responsável perceber algum sintoma. Um sinal clássico auscultado pelo veterinário é o sopro, que indica que o cão apresenta alguma alteração valvar que precisa ser investigada. Dessa forma, a consulta veterinária permite avaliar o coração e investigar qualquer alteração de forma precoce”, afirma Ribeiro.
Tosse que não é só pulmonar
Um sintoma que confunde é a tosse persistente, frequentemente atribuída a problemas respiratórios. Na prática, ela pode ser sinal de comprometimento cardíaco. “Quando o coração aumenta de tamanho ou há alterações na circulação, algumas estruturas próximas aos pulmões podem ser afetadas, o que pode desencadear episódios de tosse. É importante entender também que o grau de tosse não está diretamente correlacionado com o grau da doença, não devendo ser um parâmetro para avaliar a efetividade do tratamento”, explica o veterinário.
Vida ativa mesmo com o diagnóstico
Receber o diagnóstico de cardiopatia não significa que o animal precisa parar tudo. O exercício moderado, quando liberado pelo profissional, ajuda no controle do peso e contribui para o bem-estar. “O exercício moderado pode fazer parte da rotina de muitos cães cardiopatas. O importante é respeitar o limite do animal e seguir as orientações do médico-veterinário para evitar sobrecarga”, destaca Ribeiro.
O prognóstico, quando o problema é identificado cedo, é favorável. “Quando o diagnóstico acontece cedo e o tratamento é seguido corretamente, muitos animais continuam ativos e com boa qualidade de vida. O ideal é termos exames de imagens específicos que nos permitam classificar o estágio da doença cardíaca, iniciando o tratamento no momento certo para preservar a qualidade de vida”, conclui.