terça-feira, 22 de setembro de 2026
Movimento Estruturas

Goiás aposta em programa que promete destravar desenvolvimento nos municípios

Com investimento de R$ 95 milhões, Goiás em Movimento Estruturas prevê construção de pontes e bueiros em 44 cidades

Renata Ferrazpor em
Goiás
Foto: Clara Cardoso/ O HOJE

O Governo de Goiás lançou oficialmente o programa Goiás em Movimento Estruturas (GME), consolidando uma estratégia voltada à modernização da infraestrutura em diversas regiões do Estado. A iniciativa, coordenada pela Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), prevê a execução de obras estruturais que visam melhorar a trafegabilidade, garantir mais segurança nas vias e fortalecer o escoamento da produção agropecuária. 

Nesta primeira etapa, 44 municípios já foram contemplados, sendo que parte deles já conta com obras em andamento. Ao todo, serão executadas 212 estruturas, entre bueiros e pontes, com investimento inicial de aproximadamente R$ 95 milhões provenientes do Tesouro Estadual. A proposta, no entanto, vai além dos números iniciais e se apresenta como uma política pública contínua, com potencial de expansão para todo o território goiano.

O governador Daniel Vilela destacou que o programa surge como resposta a uma demanda histórica dos municípios, especialmente aqueles com forte vocação agropecuária e grande extensão de estradas vicinais. Segundo ele, muitas dessas regiões enfrentam dificuldades estruturais há décadas, o que impacta diretamente a mobilidade da população e a atividade econômica. 

“Quando fui entender melhor o programa, percebi que não se tratava de algo simples. São obras robustas, que exigem estudos técnicos, planejamento e execução cuidadosa. Não estamos falando de estruturas improvisadas, mas de intervenções que vão durar muitos anos e garantir segurança”, afirmou. 

Além disso, o governador ressaltou que cada obra passa por análise técnica individual, incluindo estudos hidrológicos, o que assegura maior eficiência e reduz riscos de danos futuros, especialmente em períodos de chuva intensa.

Parceria com municípios fortalece ações

A execução do programa ocorre em parceria com os municípios, que são responsáveis por indicar os pontos prioritários para a realização das obras. Esse modelo, segundo o presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM), José Délio Júnior, fortalece a gestão pública e garante maior assertividade nas intervenções. 

“São os municípios que conhecem a realidade local, sabem onde estão os gargalos e quais regiões mais precisam dessas estruturas. O Estado entra com a execução, o recurso e a parte técnica, enquanto o município aponta a demanda. Essa união é fundamental”, explicou. 

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Além disso, ele destacou que a ausência de custos para as prefeituras é um diferencial importante, já que muitas cidades não possuem capacidade financeira para arcar com obras desse porte. Dessa forma, o programa amplia o alcance das políticas públicas e atende demandas antigas da população.

Impacto direto no agronegócio

O setor agropecuário, um dos pilares da economia goiana, deve ser diretamente beneficiado pelo programa. O presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Conselho Administrativo do Senar Goiás, José Mário Schreiner, ressaltou que a infraestrutura é um dos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais. 

“Às vezes, uma pequena ponte impede o escoamento de toda uma produção. Hoje, os veículos são maiores, mais pesados, e as estruturas antigas já não suportam essa realidade. Isso gera prejuízos e limita o crescimento”, afirmou. Segundo ele, o programa contribui para reduzir esses entraves e melhora significativamente a logística no campo. 

Além disso, Schreiner destacou que a iniciativa fortalece a integração entre governo e setor produtivo, criando condições mais favoráveis para o desenvolvimento econômico. “Estamos falando de um Estado com centenas de municípios, distritos e comunidades rurais. Investir em acessibilidade é investir diretamente na qualidade de vida dessas pessoas”, completou.

Obras sob medida e alto investimento marcam expansão do programa

A presidente da Goinfra, Eliane Simonini, explicou que as obras previstas no programa exigem alto nível técnico e planejamento detalhado. Segundo ela, cada estrutura é projetada de acordo com as características específicas do local, o que inclui fatores como volume de água, tipo de solo e necessidade de resistência. “Não são obras padronizadas. Cada bueiro ou ponte precisa de um projeto próprio, pensado para aquela realidade. Isso garante mais durabilidade e segurança”, destacou. 

Ela também ressaltou que o custo médio de cada estrutura gira em torno de R$ 500 mil, valor que inviabilizaria a execução por parte dos municípios sem apoio estadual. Por isso, o governo assume integralmente todas as etapas, desde a elaboração dos projetos até a execução e pagamento das obras. Esse modelo permite maior agilidade e padronização na entrega dos serviços.

Expansão contínua e planejamento estratégico

O programa Goiás em Movimento Estruturas foi concebido como uma ação permanente, com previsão de expansão ao longo dos próximos anos. Atualmente, cerca de 196 municípios já estão cadastrados, e a expectativa é que todos sejam contemplados gradualmente. Segundo Daniel Vilela, a ideia é criar um fluxo contínuo de obras, garantindo que novas demandas sejam atendidas de forma planejada e eficiente. 

“Estamos estruturando uma linha de produção de infraestrutura, com responsabilidade técnica e compromisso com o resultado. Não queremos obras que fiquem no papel, mas sim intervenções concretas que cheguem até a população”, afirmou. 

Além disso, o governador destacou que o programa integra um conjunto maior de investimentos em infraestrutura, que já somam bilhões de reais em todo o Estado. Com isso, Goiás busca consolidar um modelo de desenvolvimento baseado em planejamento, parceria e execução eficiente, promovendo melhorias reais na vida da população e impulsionando a economia regional.

Com estradas mais seguras e acessíveis, há impacto direto no transporte escolar, no acesso a serviços de saúde e no deslocamento diário da população, ampliando oportunidades e promovendo desenvolvimento social de forma mais equilibrada em todo o Estado.

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