Daniel projeta próprio caminho à frente do governo de Goiás em áreas pouco exploradas por Caiado
Governador prioriza dar continuidade no modelo de gestão, mas quer se sobressair em áreas como infraestrutura, tida por analistas como setor que necessita de maior atenção
Um dos principais questionamentos levantados após a saída do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) do cargo de chefe do Executivo estadual é sobre quais pontos o agora gestor do governo do Estado, Daniel Vilela (MDB), deve focar. O pessedista, que concorre à Presidência da República, deixou o comando de Goiás com grandes índices de aprovação em várias áreas e isso gerou dúvidas sobre qual segmento Daniel deve priorizar investimentos para assegurar um mérito que seja seu e não de Caiado.
No entanto, nota-se que isso não é um fator de preocupação para o emedebista, uma vez que seus discursos são frequentemente marcados pelo lema da continuidade, ou seja, a meta do governador é tomar como base as realizações feitas nos últimos sete anos. Diante desse cenário, observa-se que Daniel busca direcionar investimentos consideráveis para a área de infraestrutura, tida por analistas políticos como um ramo pouco explorado na gestão de Caiado.

Com base nisso, um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), com base na Pesquisa CNT de Rodovias 2025, da Confederação Nacional do Transporte, mostra que Goiás passou de 2.140 para 3.592 quilômetros de rodovias em boas e ótimas condições. Desde 2019, a Goinfra investiu mais de R$ 12 bilhões no setor, com quase R$ 4 bilhões apenas em 2025. Para Daniel, os dados confirmam o impacto direto da prioridade dada pelo Estado à infraestrutura.
“O Governo de Goiás tem investido de forma contínua para garantir rodovias mais seguras, eficientes e preparadas para sustentar o crescimento econômico. Estrada boa reduz custos, salva vidas, melhora o escoamento da produção e aproxima oportunidades das pessoas. Esse resultado mostra que o Governo de Goiás está aplicando recurso público em obras que mudam a realidade do Estado”, afirmou o governador.
Parceria público-privada
Para o presidente da Fieg, André Rocha, “o segredo do desenvolvimento do Estado de Goiás foi justamente essa interação entre o poder público e a iniciativa privada, discutindo de forma clara, transparente, democrática as melhores políticas públicas para trazer o desenvolvimento ao Estado”.
Em concordância com Rocha, o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé defende a inserção da iniciativa privada na governança do Estado. “Quando o governo abre esse desafio de inovação aberta e traz o privado para participar da gestão pública, o gestor começa a fazer uma política pública de alto nível. Inovação aberta é uma das palavras que mais tem que orientar e direcionar o governador Daniel Vilela”, pontua.
Ensino técnico como alternativa
Zancopé avalia quais áreas do governo estadual necessitam de melhorias e destaca o eixo educacional, apesar de ser um segmento que apresenta boas avaliações. O estudioso em Políticas Públicas considera importante o direcionamento de investimentos para as escolas técnicas no sentido de o Executivo estadual considerar essa tarefa como uma responsabilidade de gestão governamental, pois é algo que resulta na formação de mão de obra para o Estado.
“Deve haver um reforço nas Escolas do Futuro nessa formação de obra técnica. Me parece que em Goiás nós conseguimos segurar um pouco esse dilema de um preconceito em torno da formação técnica. E isso é muito bom, mas é algo que pode ser reforçado. Até mesmo do ponto de vista do Estado trazer para si a responsabilidade de formar essa mão de obra.”

Acesse também: Primeira Turma do STF torna deputado Gustavo Gayer réu por injúria contra Lula
Zancopé traça caminhos para que o governo estadual possa investir no futuro de alunos que optam pela formação técnica ao invés do ensino superior. “O Estado pode criar dentro da Secretaria de Educação, ou até mesmo dentro da Secretaria de Tecnologia e Inovação (Secti), uma estrutura que busque verificar a predisposição dos alunos para o ensino técnico e pensar na formação de mão de obra, porque estamos vendo que nem todo mundo quer um diploma de bacharel, mas pode ser que essas pessoas se interessem pelo ensino técnico”, salienta Zancopé em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)