Trump rejeita proposta do Irã e mantém bloqueio naval
O acordo incluía a reabertura de Ormuz, o fim do bloqueio naval norte-americano e adiava o diálogo nuclear
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou nesta quarta-feira (29) a proposta apresentada pelo Irã para encerrar o conflito entre Washington, Tel Aviv e Teerã, segundo informações do site norte-americano Axios. A recusa interrompeu as negociações em curso e, até o momento, não há previsão para uma nova rodada de tratativas.
Segundo o site, o republicano afirmou que “o bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sufocando como um porco recheado. E vai ser pior para eles. Eles não podem ter uma arma nuclear”.
De acordo com o governo norte-americano, a proposta iraniana previa que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz, que impede o tráfego de embarcações com origem ou destino a portos iranianos. Em contrapartida, Teerã reabriria completamente a passagem pelo estreito.
O plano também estabelecia que as discussões sobre o programa nuclear iraniano fossem adiadas, condição que não foi aceita por Washington. O documento enviado pelo Irã era uma contraproposta às exigências apresentadas anteriormente pelos Estados Unidos para o fim do conflito.
Ainda, uma tentativa recente de reunião entre representantes dos dois países não ocorreu. O encontro estava previsto para o fim de semana em Islamabad, no Paquistão, que atua como mediador. O chanceler iraniano, Abbas Aragqchi, esteve na capital paquistanesa no sábado (25), mas apenas para entregar a proposta ao governo local. Ele afirmou que não participaria de negociações diretas com os norte-americanos. Diante disso, Washington cancelou o envio de seus representantes.
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Trump afirma que governo iraniano deve ficar “esperto”
O republicano também voltou a criticar o governo iraniano em publicação nas redes sociais. “O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”, escreveu na rede Truth Social. “Chega de ser bonzinho!”, acrescentou o presidente norte-americano.
O Irã, segundo a agência de notícias iraniana Fars, afirmou que só permitirá novamente o trânsito de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim da guerra com Estados Unidos e Israel e desde que sejam respeitados protocolos de segurança definidos por Teerã. O vice-ministro da Defesa, Reza Talaei-Nik, declarou segundo a agência que “permitir o trânsito tranquilo de navios comerciais estará na pauta após o fim da guerra, desde que sejam observados protocolos que não comprometam a segurança do Irã”.
As declarações foram feitas durante reunião de ministros da Defesa da Organização para Cooperação de Xangai, em Bishkek, no Quirguistão. Ainda segundo informações da Fars, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que o conflito continua. “Não consideramos que a guerra tenha acabado. Nossa situação atual ainda é considerada de guerra”, declarou.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás. Devido ao conflito no Oriente Médio, o fluxo de embarcações segue reduzido, em razão das restrições impostas pelo Irã e o bloqueio naval dos EUA.

EUA já gastaram cerca de US$ 25 bilhões no Oriente Médio
Nos Estados Unidos, o governo informou pela primeira vez os custos da guerra. Segundo o Departamento de Guerra, o conflito já consumiu cerca de US$ 25 bilhões. O dado foi apresentado durante audiência no Congresso com a presença do secretário de Guerra, Pete Hegseth.
Durante a sessão, Hegseth defendeu a proposta de elevar o orçamento das Forças Armadas para US$ 1,5 trilhão e afirmou: “A guerra com o Irã não é um atoleiro, e as críticas dos legisladores democratas dos EUA representam uma vitória de propaganda para o Irã”.