segunda-feira, 4 de maio de 2026
NEGÓCIOS

Turismo de negócios acelera no Brasil e movimenta R$ 3,5 bilhões no trimestre

Retomada de eventos presenciais e reuniões de negócios impulsiona o turismo corporativo em todo o país

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 4 de maio de 2026
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Foto: Divulgação

O turismo de negócios segue em forte expansão no Brasil e reforça seu papel estratégico na economia. Em março de 2026, o setor registrou faturamento de R$ 1,47 bilhão, avanço de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Abracorp. O resultado consolida uma trajetória de crescimento ao longo do primeiro trimestre, quando o segmento acumulou R$ 3,57 bilhões, alta de 12% na comparação anual.

Os dados indicam não apenas uma recuperação pós-pandemia, mas um novo patamar de operação, impulsionado pela retomada das atividades presenciais, pelo aumento de eventos corporativos e pela necessidade de encontros estratégicos entre empresas.

Aviação lidera expansão
O principal motor desse crescimento é o transporte aéreo corporativo. No acumulado do trimestre, o setor movimentou R$ 2,16 bilhões, com avanço de 16,3%. Em março, o salto foi ainda mais expressivo: alta de 39%, totalizando R$ 899,7 milhões.

O desempenho acompanha o aumento da demanda por viagens a trabalho em rotas nacionais e internacionais, além da ampliação da malha aérea e da retomada de frequências por companhias. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o Brasil registrou 25,2 milhões de passageiros no primeiro trimestre, crescimento de 6,17%, com março ultrapassando pela primeira vez a marca de 8 milhões de viajantes em um único mês.

Esse cenário também reflete a reativação de centros econômicos e polos corporativos, que voltaram a concentrar reuniões presenciais, feiras e congressos.

Turismo
Foto: Divulgação

Hotelaria acompanha retomada do turismo

A hotelaria corporativa também registra avanço consistente, ainda que em ritmo mais moderado. No primeiro trimestre, o setor faturou R$ 1,04 bilhão, crescimento de 7,58%. Em março, o segmento somou R$ 401,7 milhões, alta de 19%.

A taxa média de ocupação em hotéis de grandes centros já se aproxima dos níveis pré-pandemia, especialmente em cidades com forte atividade empresarial. Além disso, o ticket médio das diárias vem subindo, influenciado pela inflação do setor e pela maior demanda por serviços premium e infraestrutura voltada ao público corporativo.

Outro fator relevante é a profissionalização da gestão de viagens nas empresas, que passaram a investir em planejamento, tecnologia e controle de custos, aumentando a eficiência e a frequência dos deslocamentos.

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Impactos na economia nacional
O avanço do turismo de negócios gera efeitos diretos e indiretos em diversos segmentos da economia. Além de aviação e hotelaria, áreas como transporte terrestre, alimentação, eventos e serviços especializados também são beneficiadas.

De acordo com o Banco Central do Brasil, os gastos de turistas estrangeiros no país somaram R$ 16 bilhões entre janeiro e março, alta de 12%. Parte desse volume está diretamente relacionada a viagens corporativas, especialmente em setores como tecnologia, agronegócio e indústria.

Especialistas apontam que o turismo corporativo tem maior valor agregado do que o lazer, já que envolve gastos mais elevados por viajante e maior previsibilidade de demanda, o que contribui para a estabilidade do setor.

turismo de negocios
Foto: Divulgação

Goiás entra na rota corporativa
No Centro-Oeste, o crescimento do turismo de negócios também se reflete em mercados regionais. Em Goiânia, a expansão do agronegócio, da construção civil e do setor de serviços tem impulsionado a demanda por viagens corporativas, eventos e hospedagem.

A capital goiana vem se consolidando como polo estratégico para feiras, encontros empresariais e negociações, especialmente pela localização geográfica e pela infraestrutura urbana. Hotéis, centros de convenções e espaços para eventos têm registrado aumento na ocupação, enquanto o Aeroporto Santa Genoveva amplia sua relevância na malha aérea nacional.

Além disso, o crescimento de polos industriais e logísticos no interior de Goiás amplia o fluxo de executivos e investidores, fortalecendo a cadeia do turismo corporativo regional.

A tendência, segundo analistas, é de continuidade do crescimento ao longo de 2026, sustentada pela expansão econômica e pela consolidação do modelo híbrido de trabalho, que mantém a necessidade de encontros presenciais estratégicos.

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