segunda-feira, 11 de maio de 2026
DEPENDE DE MORAES...

Mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro é convidado para posse de Nunes Marques no TSE

Ex-presidente foi incluído na lista de convidados da cerimônia que marca a troca no comando da Justiça Eleitoral, mas presença ainda depende de autorização do STF

Thais Munizpor Thais Muniz em 11 de maio de 2026
nunes marques
Apesar da prisão, Nunes Marques (direita) convida Bolsonaro para posse com André Mendonça no TSE - Foto: Isac Nóbrega/PR/ND Mais

O ministro Kássio Nunes Marques convidou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a cerimônia de posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para esta terça-feira (12), mesmo com Bolsonaro em prisão domiciliar. A participação, porém, só poderá ocorrer caso o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal ligada ao julgamento da tentativa de golpe, autorize a saída.

Segundo interlocutores de Nunes Marques, o convite seguiu o protocolo adotado pelo TSE em solenidades oficiais. A corte enviou convites a todos os ex-presidentes vivos, entre eles Dilma Rousseff, Fernando Collor de Mello, José Sarney e Bolsonaro, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Convite segue protocolo da corte eleitoral

A inclusão de Bolsonaro na lista ocorre dentro da prática institucional adotada em cerimônias desse porte. De acordo com aliados de Nunes Marques, ele “seguiu a praxe” ao manter o padrão de convites destinados a ex-chefes do Executivo.

Indicado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, Nunes Marques assume o comando do TSE no lugar da ministra Cármen Lúcia e ficará à frente da corte pelos próximos dois anos. O ministro André Mendonça, também nomeado pelo ex-presidente ao STF, ocupará a vice-presidência.

Com a nova composição, dois ministros escolhidos por Bolsonaro passam a ocupar os principais cargos da Justiça Eleitoral justamente em ano de eleição.

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À frente do TSE, Nunes Marques será responsável por conduzir o processo eleitoral em um cenário marcado por discussões sobre urnas eletrônicas, inteligência artificial, circulação de conteúdos manipulados e atuação da Justiça Eleitoral nas campanhas.

Entre os pontos já defendidos pelo ministro está a manutenção do sistema eletrônico de votação. Além disso, ele pretende ampliar acordos com universidades para enfrentar o uso de inteligência artificial na produção de desinformação eleitoral.

Outra mudança envolve a fiscalização digital. Nunes Marques sinalizou que deve reduzir a presença da Polícia Federal no monitoramento de redes sociais e adotar uma atuação menos intervencionista do TSE no debate político.

No lugar da retirada imediata de conteúdos, o ministro defende priorizar o direito de resposta. Segundo aliados, a proposta é “tirar o TSE do centro da disputa política” e preservar maior protagonismo de candidatos e eleitores durante o processo eleitoral.

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