Trump e Xi devem discutir armas nucleares e Taiwan em Pequim
Os líderes se reúnem pela segunda vez em menos de um ano, após terem discutido guerra tarifária em outubro de 2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou nesta terça-feira (12) para a China, onde terá uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping, que deve ocorrer entre quarta-feira (13) e sexta-feira (15), em Pequim. O encontro deve reunir discussões sobre comércio, segurança internacional, tecnologia, Taiwan e armas nucleares.
Antes de deixar a Casa Branca, Trump afirmou que não pretende pedir ajuda chinesa nas negociações envolvendo o Irã. “Eu não acho que precise da ajuda do Xi no Irã”, declarou o presidente americano. Em seguida, indicou que o conflito no Oriente Médio não deve ocupar posição central na conversa com o líder chinês. “Eu tenho uma relação com o presidente Xi e devemos continuar assim. Temos muitas coisas para conversar, e o Irã não deve ser uma delas”, disse.
Apesar disso, a guerra envolvendo Irã e Estados Unidos influencia o cenário da reunião. A China mantém relações econômicas próximas com Teerã e continua como uma das principais compradoras do petróleo iraniano, o republicano vem pressionando o governo chines para utilizar da influência de Pequim no país persa para avançar nas negociações.
O encontro será o segundo entre Trump e Xi em menos de um ano. Ainda, segundo o republicano, os líderes devem se reunir novamente antes do fim do ano com uma viagem do presidente chines a Washington.
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Em outubro de 2025, os dois líderes se reuniram para discutir a guerra comercial travada entre Washington e Pequim. Na ocasião, anunciaram acordos para reduzir tarifas e concordaram em interromper a escalada tarifária entre os países.

Agora, além das questões comerciais, a reunião deve incluir temas ligados à segurança internacional. O governo norte-americano acusa a China de realizar testes nucleares subterrâneos sem transparência. Em novembro do ano passado, Trump afirmou que Pequim estaria promovendo atividades nucleares secretas.
A China nega as denúncias e condenou publicamente as declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos. Mesmo diante das divergências, Trump vem defendendo a construção de um possível acordo entre Estados Unidos, China e Rússia para limitar a proliferação de armas nucleares.
Taiwan deve ser uma das pautas centrais entre Trump e Xi Jinping
A situação de Taiwan também aparece como um dos assuntos da reunião. Pequim considera a ilha parte do território chinês, enquanto os Estados Unidos mantêm apoio político e militar ao governo taiwanês. Nos últimos meses, Washington ampliou o fornecimento de armas para Taipei, medida criticada pelo governo chinês.
Na segunda-feira (11), Trump confirmou que pretende discutir o tema diretamente com Xi Jinping. “Vou ter essa conversa com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não fizéssemos isso. Esta é uma das muitas questões sobre as quais vamos conversar”, afirmou o republicano na Casa Branca.
Nesta terça-feira, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, agradeceu aos Estados Unidos pelo apoio militar e afirmou que a ilha continuará reforçando suas capacidades de defesa. “Gostaria de agradecer aos Estados Unidos por nos ajudarem a fortalecer nossas capacidades de defesa como parte de seu compromisso inabalável com a segurança”, declarou Lai em mensagem enviada à Cúpula da Democracia de Copenhague.
Além das disputas geopolíticas, a área tecnológica ganhou peso nas negociações entre Washington e Pequim. Washington acusa grupos ligados à China de tentar acessar sistemas de inteligência artificial dos EUA usando mecanismos para burlar controles de segurança. Nesse cenário, o governo Trump passou a discutir novas restrições para exportação de chips avançados e tecnologias consideradas estratégicas.