quarta-feira, 13 de maio de 2026
EXPLORAÇÃO DE MINÉRIOS

MPGO tenta barrar decisões que podem liberar mineração na Chapada dos Veadeiros

Ação questiona composição de órgão da APA de Pouso Alto, aponta favorecimento econômico e pressiona revisão de medidas tomadas desde 2017

Thais Munizpor Thais Muniz em 13 de maio de 2026
Chapada dos Veadeiros
Chapada dos Veadeiros

O Ministério Público de Goiás (MPGO) tenta anular decisões do Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto que, segundo a ação civil pública, podem abrir caminho para a mineração em áreas hoje protegidas da Chapada dos Veadeiros. Nas alegações finais enviadas à Justiça, o órgão questiona a legalidade da composição do colegiado responsável por deliberações sobre a unidade de conservação e sustenta que a estrutura atual favorece interesses econômicos, especialmente em meio às discussões sobre mudanças no plano de manejo para permitir extração mineral em regiões antes restritas.

A APA de Pouso Alto fica no entorno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás, e exerce papel estratégico na preservação do Cerrado, de nascentes e de áreas de proteção ambiental. O foco da disputa envolve propostas de revisão do zoneamento ambiental para autorizar atividades como extração de saibro, areia e cascalho em pontos sensíveis da unidade.

MP questiona composição e peso de setores econômicos

De acordo com o MPGO, o Decreto Estadual nº 9.035/2017, que regulamenta a composição do conselho, criou um modelo sem representatividade proporcional entre comunidades locais, povos tradicionais e setores empresariais. Na ação, a promotoria aponta que, entre os representantes da sociedade civil, segmentos ligados ao setor rural, turismo, mineração e energia ocupam espaço significativamente maior que moradores locais, quilombolas e assentados.

A promotora Alice de Almeida Freire afirma que a configuração atual compromete o equilíbrio das decisões. Segundo ela, “o setor econômico detém maioria permanente entre as cadeiras da sociedade civil”, o que, na avaliação do MP, reduz a influência de grupos diretamente impactados pela preservação da área.

Na prática, o Ministério Público argumenta que essa composição interfere diretamente em decisões sobre o futuro ambiental da APA, incluindo alterações que podem flexibilizar regras para exploração mineral.

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Falta de transparência em mudanças elevou pressão judicial

Depoimentos reunidos no processo também apontam questionamentos sobre a condução de uma reunião extraordinária realizada após a recomposição do conselho, em março de 2024. Testemunhas relataram que o encontro discutiu mudanças no Plano de Manejo da APA para permitir atividades de extração mineral em determinadas zonas, incluindo áreas com vegetação nativa preservada e dezenas de nascentes.

Segundo os relatos, conselheiros e representantes da sociedade civil não receberam previamente documentos técnicos sobre as propostas, apesar de o regimento interno prever antecedência mínima para acesso ao material. Ainda conforme os depoimentos, a pauta avançou sem ampla participação social e sem apresentação prévia de estudos técnicos detalhados.

Para o MPGO, esse cenário reforça a necessidade de revisão das deliberações tomadas pelo colegiado desde a criação das regras atuais.

MPGO pede nulidade de atos e revisão de decisões

Nas alegações finais, o Ministério Público pede que a Justiça declare nulos os atos deliberativos e normativos do Conselho Consultivo da APA de Pouso Alto desde 2017. O órgão também solicita revisão das decisões relacionadas ao zoneamento e ao Plano de Manejo da unidade de conservação.

Além disso, a ação pede análise sobre a constitucionalidade de trechos do decreto estadual que definiu a composição do conselho. O entendimento do MPGO é que o modelo atual contraria princípios de participação plural na governança ambiental.

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