Goiás tem queda acentuada da umidade e teme temporada severa de queimadas
Falta de chuva e calor acima da média já preocupam autoridades ambientais, que intensificam ações preventivas diante do aumento de risco de incêndios florestais
Goiás já começou a entrar em estado de alerta por causa da queda da umidade relativa do ar e da redução das chuvas, cenário que preocupa autoridades ambientais e órgãos de segurança antes mesmo do início oficial do período mais crítico das queimadas no Estado. A situação chama atenção principalmente no Nordeste goiano, região que historicamente concentra os maiores índices de incêndios florestais entre setembro e outubro.
Mesmo ainda no começo da estiagem, órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) já intensificam ações preventivas para tentar evitar uma temporada severa de queimadas em 2026.
Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, Goiás entrou oficialmente no período de estiagem ainda em abril, antecipando um cenário que normalmente se consolida apenas entre maio e junho. A tendência agora é de tempo seco prolongado e chuvas cada vez mais raras. “Não temos previsão de chuvas significativas que venham resolver o problema da estiagem. A tendência agora é realmente estabelecer o período seco em Goiás”, explicou.
De acordo com o meteorologista, a umidade relativa do ar já começa a atingir níveis preocupantes em várias regiões do Estado. Em alguns municípios, os índices registrados durante a tarde já variam entre 30% e 35%, patamar considerado de atenção pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Historicamente, o Norte e o Nordeste goiano registram os maiores índices de queimadas de Goiás, principalmente em municípios próximos a áreas de Cerrado preservados, como Cavalcante, Alto Paraíso, Niquelândia e regiões vizinhas.
O cenário preocupa porque a vegetação começa a secar mais cedo neste ano, criando um ambiente extremamente favorável para a propagação rápida do fogo. Segundo especialistas, a combinação entre calor intenso, baixa umidade e longos períodos sem chuva aumenta drasticamente o risco de incêndios florestais.
Além dos impactos ambientais, as queimadas também provocam prejuízos diretos à saúde da população. Durante os meses mais secos, aumentam os casos de problemas respiratórios, irritação nos olhos e agravamento de doenças pulmonares, principalmente entre idosos e crianças.
Outro ponto de preocupação envolve as rodovias goianas. Incêndios às margens das estradas reduzem drasticamente a visibilidade por causa da fumaça e aumentam o risco de acidentes graves.
A previsão para os próximos meses também não é animadora. Segundo o Cimehgo, Goiás ainda pode enfrentar novas ondas de calor entre agosto e outubro, período considerado o mais crítico para queimadas no Estado.
Apesar das condições climáticas favorecerem a propagação do fogo, especialistas alertam que a grande maioria dos incêndios registrados em Goiás é provocada pela ação humana.
Segundo Amorim, o problema não está apenas no clima, mas principalmente na atuação das pessoas durante o período seco. “A gente costuma brincar que não precisa monitorar queimadas, precisa monitorar pessoas, porque infelizmente a maioria dos incêndios começa por ação humana. Uma pessoa coloca fogo em um ponto e aquilo se espalha rapidamente”, afirmou.
Entre as principais causas estão queimadas para limpeza de terrenos, descarte irregular de lixo, uso do fogo em áreas rurais para renovação de pastagens e até acidentes envolvendo equipamentos ligados próximos à vegetação seca.
Mesmo pequenas chamas podem ganhar grandes proporções durante a estiagem por causa dos ventos fortes e da vegetação extremamente ressecada. Por isso, os órgãos ambientais reforçam o alerta para que a população evite qualquer tipo de queimada durante os próximos meses.
O Corpo de Bombeiros também orienta que qualquer foco de incêndio seja comunicado imediatamente pelo telefone 193. Além da preocupação ambiental, o período de estiagem também aumenta a atenção sobre o abastecimento de água no Estado. Apesar disso, a Saneago informou que os sistemas seguem operando normalmente nos 223 municípios atendidos pela companhia.
Segundo a estatal, a vazão atual do Rio Meia Ponte ainda é suficiente para manter o abastecimento regular em Goiânia. A empresa destacou ainda que o sistema João Leite opera atualmente com cerca de 96% da capacidade de armazenamento.
A companhia também ressaltou a importância da obra de integração entre os sistemas João Leite e Meia Ponte, inaugurada no ano passado, que permite reforçar o abastecimento em períodos de maior consumo ou redução da vazão dos rios. Mesmo sem risco imediato de desabastecimento, a Saneago reforçou a necessidade de consumo consciente de água durante os próximos meses de seca.
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