quarta-feira, 13 de maio de 2026
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Goiás tem queda acentuada da umidade e teme temporada severa de queimadas

Falta de chuva e calor acima da média já preocupam autoridades ambientais, que intensificam ações preventivas diante do aumento de risco de incêndios florestais

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 13 de maio de 2026
Umidade
Divulgação/Secom

Goiás já começou a entrar em estado de alerta por causa da queda da umidade relativa do ar e da redução das chuvas, cenário que preocupa autoridades ambientais e órgãos de segurança antes mesmo do início oficial do período mais crítico das queimadas no Estado. A situação chama atenção principalmente no Nordeste goiano, região que historicamente concentra os maiores índices de incêndios florestais entre setembro e outubro.

Mesmo ainda no começo da estiagem, órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) já intensificam ações preventivas para tentar evitar uma temporada severa de queimadas em 2026.

Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, Goiás entrou oficialmente no período de estiagem ainda em abril, antecipando um cenário que normalmente se consolida apenas entre maio e junho. A tendência agora é de tempo seco prolongado e chuvas cada vez mais raras. “Não temos previsão de chuvas significativas que venham resolver o problema da estiagem. A tendência agora é realmente estabelecer o período seco em Goiás”, explicou.

De acordo com o meteorologista, a umidade relativa do ar já começa a atingir níveis preocupantes em várias regiões do Estado. Em alguns municípios, os índices registrados durante a tarde já variam entre 30% e 35%, patamar considerado de atenção pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Historicamente, o Norte e o Nordeste goiano registram os maiores índices de queimadas de Goiás, principalmente em municípios próximos a áreas de Cerrado preservados, como Cavalcante, Alto Paraíso, Niquelândia e regiões vizinhas.

O cenário preocupa porque a vegetação começa a secar mais cedo neste ano, criando um ambiente extremamente favorável para a propagação rápida do fogo. Segundo especialistas, a combinação entre calor intenso, baixa umidade e longos períodos sem chuva aumenta drasticamente o risco de incêndios florestais.

Além dos impactos ambientais, as queimadas também provocam prejuízos diretos à saúde da população. Durante os meses mais secos, aumentam os casos de problemas respiratórios, irritação nos olhos e agravamento de doenças pulmonares, principalmente entre idosos e crianças.

Outro ponto de preocupação envolve as rodovias goianas. Incêndios às margens das estradas reduzem drasticamente a visibilidade por causa da fumaça e aumentam o risco de acidentes graves.

A previsão para os próximos meses também não é animadora. Segundo o Cimehgo, Goiás ainda pode enfrentar novas ondas de calor entre agosto e outubro, período considerado o mais crítico para queimadas no Estado.

Apesar das condições climáticas favorecerem a propagação do fogo, especialistas alertam que a grande maioria dos incêndios registrados em Goiás é provocada pela ação humana.

Segundo Amorim, o problema não está apenas no clima, mas principalmente na atuação das pessoas durante o período seco. “A gente costuma brincar que não precisa monitorar queimadas, precisa monitorar pessoas, porque infelizmente a maioria dos incêndios começa por ação humana. Uma pessoa coloca fogo em um ponto e aquilo se espalha rapidamente”, afirmou.

Entre as principais causas estão queimadas para limpeza de terrenos, descarte irregular de lixo, uso do fogo em áreas rurais para renovação de pastagens e até acidentes envolvendo equipamentos ligados próximos à vegetação seca.

Mesmo pequenas chamas podem ganhar grandes proporções durante a estiagem por causa dos ventos fortes e da vegetação extremamente ressecada. Por isso, os órgãos ambientais reforçam o alerta para que a população evite qualquer tipo de queimada durante os próximos meses.

O Corpo de Bombeiros também orienta que qualquer foco de incêndio seja comunicado imediatamente pelo telefone 193. Além da preocupação ambiental, o período de estiagem também aumenta a atenção sobre o abastecimento de água no Estado. Apesar disso, a Saneago informou que os sistemas seguem operando normalmente nos 223 municípios atendidos pela companhia.

Segundo a estatal, a vazão atual do Rio Meia Ponte ainda é suficiente para manter o abastecimento regular em Goiânia. A empresa destacou ainda que o sistema João Leite opera atualmente com cerca de 96% da capacidade de armazenamento.

A companhia também ressaltou a importância da obra de integração entre os sistemas João Leite e Meia Ponte, inaugurada no ano passado, que permite reforçar o abastecimento em períodos de maior consumo ou redução da vazão dos rios. Mesmo sem risco imediato de desabastecimento, a Saneago reforçou a necessidade de consumo consciente de água durante os próximos meses de seca.

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