segunda-feira, 25 de maio de 2026
Caso Master

Gilmar diz que crise do Master é “sistêmica” e critica associação do caso ao STF

Ministro afirmou que escândalo não está “na Praça dos Três Poderes”, mas na Faria Lima e diz que relação de magistrados com Daniel Vorcaro deve ser investigada

Thiago Borgespor Thiago Borges em 25 de maio de 2026
7 abre Gilmar Mendes Foto Luiz Silveira STF
Gilmar afirmou que os episódios devem ser investigados pelas autoridades competentes | Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a crise do Banco Master tem sido direcionada “indevidamente” ao Judiciário e classificou o episódio como um problema “sistêmico” do mercado financeiro e dos órgãos de fiscalização. As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo.

Ao jornal, Gilmar afirmou que os episódios devem ser investigados pelas autoridades competentes, mas questionou a tentativa de estabelecer uma relação direta entre as conexões pessoais e a responsabilidade pela crise financeira.

“Isso certamente está sendo investigado e as autoridades competentes devem fazê-lo. Agora, qual a relação de causa e efeito? Pessoas que fizeram empréstimos ou que eram correntistas têm responsabilidade? Claro que não”, declarou.

O caso ganhou repercussão após revelações de envolvimento e de relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A Polícia Federal (PF) apura negócios da família de Toffoli ligados ao resort Tayayá e contatos entre Vorcaro e Moraes, em contratos firmados entre o banco e o escritório da esposa do ministro.

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Desgaste de imagem

O ministro também reagiu aos dados recentes do Datafolha que apontaram desgaste da imagem do STF junto à população. Segundo o decano do Supremo, houve uma transferência equivocada de responsabilidades para a Corte, enquanto órgãos de fiscalização financeira deixaram de atuar de forma adequada.

“A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”, afirmou. Gilmar ainda criticou a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao afirmar que o órgão permaneceu “há mais de um ano com três diretores a menos”, além de citar supostas falhas de fiscalização do Banco Central (BC).

“Não quero isentar de responsabilidade quem tem, mas me parece que você coloca o Tribunal num corredor polonês”, reclamou o magistrado.

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