Fraude no Detran-DF movimentou mais de R$ 1 milhão, diz polícia
Operação investiga grupo suspeito de acessar ilegalmente o sistema do órgão para retirar multas, restrições judiciais e pendências de veículos mediante pagamento
Uma investigação da Polícia Civil apura um esquema que teria transformado acessos internos ao sistema do Detran-DF em um negócio ilegal milionário. Segundo a corporação, o grupo cobrava R$ 2 mil por veículo para remover multas, restrições judiciais e outras pendências dos registros oficiais do órgão.
A fraude teria movimentado mais de R$ 1 milhão. Ao longo de um ano, os investigadores identificaram mais de 600 acessos irregulares ao sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal.
O caso começou a ser rastreado depois que auditorias internas apontaram movimentações incomuns concentradas em um único perfil funcional. A partir das suspeitas, o Detran-DF bloqueou senhas, separou sistemas para perícia técnica e abriu processo administrativo disciplinar contra o servidor investigado.
De acordo com a apuração, um funcionário efetivo do próprio órgão é apontado como principal articulador do esquema. Ele teria usado o acesso institucional para fazer alterações nos registros de veículos diretamente nos computadores do departamento.
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Mandados em quatro estados
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (28) e cumpriu mandados de prisão e de busca em quatro unidades da federação. As equipes atuaram no Distrito Federal, em Goiás, no Piauí e no Rio Grande do Sul, com diligências em Brasília, Valparaíso de Goiás, Teresina e Santiago.
Os principais alvos não foram localizados e passaram a ser considerados foragidos.
A Polícia Civil também investiga a participação de familiares e outros comparsas na engrenagem do esquema. A suspeita é que contas de terceiros tenham sido usadas para movimentar e ocultar os valores obtidos com a fraude, além de auxiliar na captação de pessoas interessadas em retirar irregularidades do histórico dos veículos.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A corporação ainda apura se houve participação de outros envolvidos e possível ocultação de patrimônio.