Seguro rural passa a exigir análise ESG e pode dificultar acesso ao crédito no agronegócio
Nova regra obriga seguradoras a avaliarem questões ambientais e trabalhistas nas propriedades rurais e amplia pressão por regularização no setor
O avanço da agenda ESG no agronegócio brasileiro começou a impactar diretamente as operações de seguro rural. A partir da Resolução 485 do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), seguradoras passam a ser obrigadas a incluir critérios ambientais, sociais e de governança na análise de risco para concessão de seguros agrícolas, de máquinas e equipamentos do setor.
Na prática, propriedades com embargo ambiental, desmatamento ilegal, sobreposição em áreas protegidas ou registros de infrações ambientais e trabalhistas poderão enfrentar restrições para contratação de seguros rurais: situação que também pode dificultar o acesso ao crédito bancário no agronegócio.
“A análise socioambiental deixa de ser apenas uma tendência de mercado e passa a integrar formalmente os critérios de aceitação de risco das seguradoras”, explica o advogado Lando Bottosso, do escritório João Domingos Advogados.
Pressão internacional aumenta exigências no agro
A mudança acompanha a crescente pressão internacional por rastreabilidade, sustentabilidade e governança nas cadeias produtivas brasileiras, especialmente no setor agropecuário. Segundo especialistas, o seguro rural passa a funcionar também como mecanismo indireto de controle regulatório e reputacional das atividades do agronegócio.
“Existe uma pressão crescente por sustentabilidade e governança. O seguro rural passa agora a atuar também como instrumento de fiscalização e gestão de risco dentro do setor”, afirma Bottosso.
A expectativa do mercado é que seguradoras ampliem o uso de monitoramento territorial, cruzamento de dados ambientais e mecanismos tecnológicos de validação documental para análise das operações.
Produtores terão de reforçar regularização ambiental
Com as novas exigências, produtores rurais deverão intensificar processos de regularização documental, atualização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e adequação ambiental das propriedades. Especialistas avaliam que propriedades irregulares podem enfrentar dificuldades não apenas para contratar seguros, mas também para acessar linhas de financiamento agrícola.
“As seguradoras precisarão investir em sistemas de monitoramento e compliance. Já os produtores terão de manter regularidade ambiental e documental para garantir acesso ao seguro e, em muitos casos, ao próprio crédito rural”, destaca Bottosso.
Greenwashing também entra no radar
Outro ponto que ganha força com o avanço da agenda ESG é o combate ao chamado greenwashing — prática de divulgação de informações ambientais falsas ou distorcidas para melhorar a imagem de empresas e operações do setor.
Segundo o especialista, o aumento da fiscalização será importante para proteger produtores que realmente adotam práticas sustentáveis. “A fiscalização do greenwashing é fundamental para impedir discursos ambientais falsos que prejudicam a credibilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro”, afirma.
A medida é vista pelo mercado como mais um passo da integração entre sustentabilidade, gestão de risco e segurança financeira dentro das operações do agro brasileiro.
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