segunda-feira, 22 de junho de 2026
POLÍTICA

Câmara pode votar nesta semana projetos que ampliam direitos de pessoas com TDAH, dislexia e epilepsia

Propostas em análise preveem adaptações em provas e concursos, criação de programa nacional para pessoas com epilepsia e mudanças na compra de medicamentos pelo SUS

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 31 de maio de 2026
Câmara pode votar nesta semana projetos que ampliam direitos de pessoas com TDAH, dislexia e epilepsia
Plenário da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados deve analisar nos próximos dias uma série de propostas que podem impactar diretamente milhões de brasileiros atendidos pela rede pública de saúde e pelo sistema educacional. Entre os projetos que estão na pauta estão medidas para ampliar direitos de pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia e outros transtornos de aprendizagem, além da criação de uma política nacional voltada a pacientes com epilepsia e mudanças na aquisição de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma das principais propostas institui a Política Nacional de Atenção às Pessoas Diagnosticadas com Transtornos do Neurodesenvolvimento. O texto prevê mecanismos para garantir maior inclusão de estudantes e candidatos em avaliações educacionais e processos seletivos.

Pelo parecer apresentado na Câmara, pessoas com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem poderão ter acesso a adaptações específicas durante provas escolares, vestibulares, concursos públicos e seleções. Entre as medidas previstas estão tempo adicional para realização das avaliações, ambientes com menos estímulos para reduzir distrações, utilização de recursos tecnológicos e flexibilização dos formatos de prova, conforme as regras de cada instituição.

A proposta busca reduzir barreiras enfrentadas por pessoas com dificuldades de aprendizagem e garantir condições mais adequadas para que possam demonstrar seus conhecimentos em igualdade de oportunidades.

Programa nacional para pessoas com epilepsia

Outro projeto que deve ser analisado pelos parlamentares cria o Programa Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Epilepsia. A iniciativa prevê a ampliação do atendimento especializado dentro do SUS, com foco no diagnóstico precoce, tratamento adequado e redução das sequelas associadas à doença.

Além da assistência médica, o programa também pretende promover campanhas educativas para ampliar a informação sobre a epilepsia e combater o preconceito ainda enfrentado por pacientes e familiares. A proposta prevê ações em todos os níveis de atenção da rede pública de saúde, desde a atenção básica até os serviços especializados.

Hemobrás poderá fornecer medicamentos sem licitação

Também está na pauta um projeto que altera as regras para aquisição de medicamentos hemoderivados pelo SUS. A proposta autoriza a Hemobrás a firmar contratos diretamente com o sistema público de saúde, sem necessidade de licitação, quando for a única fabricante dos produtos no país.

Os medicamentos hemoderivados são produzidos a partir do plasma obtido em doações de sangue e são utilizados no tratamento de doenças raras, imunodeficiências e outras condições que exigem terapias de alta complexidade.

Defensores da medida argumentam que a mudança pode acelerar o abastecimento da rede pública e fortalecer a produção nacional de medicamentos considerados estratégicos para o país.

Se aprovadas, as propostas representarão avanços nas áreas de inclusão, saúde pública e acesso a tratamentos especializados, ampliando a assistência a pacientes e estudantes que dependem de políticas específicas para garantir seus direitos.

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