sexta-feira, 28 de agosto de 2026
OPINIÃO

Se Caiado perder para presidente, sua geração inteira ficará sem mandato 

Após as mortes de Maguito Vilela, Iris Rezende, Nion Albernaz, Henrique Santillo e Mauro Borges, além da aposentadoria de nomes como Roberto Balestra, Irapuan Costa Júnior, Alcides Rodrigues, Jovair Arantes e Lúcia Vânia, todos os eleitos neste ano serão nascidos a partir da segunda metade do século passado

Nilson Gomespor em
Caiado
A candidatura presidencial de Ronaldo Caiado pode marcar o encerramento de uma geração que dominou a política goiana desde a redemocratização Foto: Divulgação

O cenário está complicado para uma vitória de Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pela Presidência da República. Como é conhecido pela determinação que o levou tanto a vitórias quanto a derrotas, é improvável que desista de enfrentar candidatos como Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Se voltasse suas atenções para Goiás, ajudaria o pré-candidato à reeleição ao governo, Daniel Vilela (MDB). Também parece improvável que Gracinha Caiado desista da disputa ao Senado. Já um retorno à Câmara dos Deputados soa distante. Caso insista na corrida ao Palácio do Planalto e seja derrotado, pela primeira vez sua geração poderá ficar sem um cargo eletivo de destaque em Goiás.

Dos políticos que surgiram ou se consolidaram com a retomada das eleições diretas para governador, em 1982, muitos já faleceram. Entre eles estão os ex-governadores Iris Rezende, Onofre Quinan, Maguito Vilela, Otávio Lage, Henrique Santillo e Joaquim Roriz, que foi vice-governador em Goiás e governou o Distrito Federal por quatro mandatos. Também partiram nomes importantes da política municipal e parlamentar, como Darci Accorsi, Nion Albernaz, Adhemar Santillo, Anapolino de Faria, Eurico Barbosa, Helenês Cândido, Paulo Roberto Cunha, Fernando Cunha Júnior e Iso Moreira.

Outros deixaram a vida pública, como os ex-governadores Leonino Caiado, Irapuan Costa Júnior, Naphtali Alves, Agenor Rezende e Alcides Rodrigues; os ex-deputados Jovair Arantes e Roberto Balestra; e os ex-senadores Cyro Miranda, Lúcia Vânia e Demóstenes Torres.

A renovação chegou ao Executivo

Quando Caiado transmitiu o cargo de governador a Daniel Vilela, no fim de março, não ocorreu apenas uma troca de comando no Executivo estadual. O episódio simbolizou a despedida de uma geração da Praça Cívica.

Os principais pré-candidatos ao governo são todos menores de 70 anos: Marconi Perillo tem 63 anos, Wilder Morais, 47; Adriana Accorsi, 53; e Daniel Vilela, 42. Caiado completará 77 anos em setembro.

Leia mais: Caiado diz que Lula ‘torce’ por taxações de Trump ao Brasil

Campanhas eleitorais exigem disposição física para longas jornadas, viagens e contato direto com o eleitorado. Caiado continua demonstrando vigor, mas já não depende apenas da própria energia e vontade. Além disso, caso seja derrotado na disputa presidencial, só poderia voltar a disputar o governo estadual aos 81 anos, idade que Lula possui atualmente.

Juventude domina os municípios

Se a renovação já é evidente no plano estadual, nos municípios ela é ainda mais visível.

No Entorno do Distrito Federal, prefeitos jovens ocupam as principais cidades. Diego Sorgatto está no segundo mandato em Luziânia e tem 35 anos. Lucas Antonietti venceu em Águas Lindas aos 37. Marcus Vinícius, em Valparaíso, tem 39 anos. Jéssica do Premium, prefeita de Santo Antônio do Descoberto, tem 35.

No Sudoeste goiano, Wellington Carrijo administra Rio Verde aos 37 anos. Na Região Metropolitana, o prefeito de Terezópolis foi eleito aos 26 anos.

O presidente da Associação Goiana de Municípios (AGM), José Délio Júnior, tem 37 anos e está no segundo mandato em Hidrolândia. Já o presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Paulo Vitor Avelar, completou 40 anos e também exerce o segundo mandato, em Jaraguá.

Os herdeiros da política

A renovação, no entanto, não ocorreu necessariamente fora das famílias tradicionais.

Na Assembleia Legislativa, há uma forte presença de filhos e herdeiros de lideranças políticas. Iso Moreira foi sucedido por Alessandro Moreira. Agenor Rezende passou o bastão para a filha Rosângela Rezende. Jardel Sebba ajudou a eleger o filho Gustavo Sebba. Issy Quinan teve sua trajetória seguida pelo filho homônimo.

Também integram a Assembleia nomes como Eduardo Prado, Lincoln Tejota, Bruno Peixoto, Lucas Calil, Wagner Neto, Virmondes Cruvinel e Lucas do Vale, todos com vínculos familiares com políticos de destaque.

No Executivo e nas eleições majoritárias, o fenômeno se repete. Daniel Vilela é filho de Maguito Vilela. Ana Paula Rezende é filha de Iris Rezende. Adriana Accorsi é filha de Darci Accorsi. Henrique Arantes segue os passos de Jovair Arantes. Fabianne Leão surge como herdeira política de Roberto Balestra.

Até mesmo Ronaldo Caiado participa desse movimento. A pré-candidatura de Gracinha Caiado ao Senado é vista por aliados como uma continuidade política do grupo governista. A diferença é que ela construiu protagonismo próprio e já aparece como favorita em diversos cenários eleitorais.

O desafio de Caiado

Por isso, a eleição presidencial de 2026 poderá representar mais do que um projeto pessoal para Ronaldo Caiado. Uma eventual derrota poderá marcar o encerramento do ciclo político de uma geração que dominou a política goiana desde a redemocratização e abrir ainda mais espaço para lideranças formadas já no século XXI.

 

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