Comissão do Senado aprova piso de R$ 13,6 mil para médicos e dentistas
Proposta eleva remuneração mínima para jornada de 20 horas semanais, amplia adicional noturno e segue agora para análise da Câmara dos Deputados
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, em turno suplementar nesta quarta-feira (10), o projeto que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 para uma jornada de 20 horas semanais.
A proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para votação no Plenário do Senado.
Além do aumento salarial, o texto amplia de 20% para 50% o adicional por trabalho noturno e horas extras. A nova remuneração mínima será aplicada aos profissionais dos setores público e privado.
Senadores defendem valorização da categoria
Relator da proposta, o senador Fernando Dueire (PSD-PE) classificou a medida como uma “reparação histórica” para médicos e dentistas.
Segundo ele, a valorização salarial é fundamental para fortalecer políticas públicas voltadas à interiorização dos profissionais de saúde.
A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), que é médica, afirmou que o piso atualmente praticado é insuficiente para a categoria.
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O texto aprovado mantém o substitutivo elaborado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) ao projeto original apresentado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB).
Projeto prevê novos direitos
Além do novo piso salarial, a proposta assegura um intervalo de descanso de dez minutos para cada 90 minutos trabalhados.
O texto também estabelece que a chefia dos serviços médicos e odontológicos deverá ser exercida exclusivamente por médicos e cirurgiões-dentistas, respectivamente.
Reajuste anual pelo IPCA
A proposta determina que o piso seja reajustado anualmente com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No caso de médicos concursados de estados, do Distrito Federal e dos municípios, a atualização poderá seguir índice diferente, desde que previsto em legislação local.
Impacto bilionário
De acordo com o projeto, estados e municípios não precisarão custear o aumento salarial com recursos próprios, já que os valores serão financiados pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS).
Para os médicos da rede pública federal, o impacto estimado é de R$ 8,1 bilhões em 2026, sem considerar despesas com adicional noturno e horas extras, segundo cálculo apresentado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
A proposta já havia sido aprovada pela comissão em maio, mas precisou passar por uma nova votação por se tratar de um substitutivo com decisão terminativa.
Com a confirmação da CAS, o projeto segue para análise da Câmara dos Deputados.
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