segunda-feira, 6 de julho de 2026
COMPLEXO ONCOLÓGICO

Um ano após inauguração em Goiás, Cora ainda não tem radioterapia própria e opera com 75% dos leitos ocupados

Governo afirma que hospital funciona “100%”, mas Secretaria de Saúde reconhece que uma das principais modalidades de tratamento contra o câncer segue sendo realizada fora da unidade

Luma Silveirapor Luma Silveira em 10 de junho de 2026
Cora
Foto: Luma Silveira / O Hoje

Um ano após a inauguração do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), o Governo de Goiás apresentou nesta quarta-feira (10) o balanço das atividades da unidade, que se tornou a principal referência estadual para o tratamento oncológico pediátrico. Os números indicam crescimento da demanda acima do previsto inicialmente, mas também mostram que o hospital ainda não oferece dentro da própria estrutura todos os serviços necessários para o tratamento completo do câncer.

Durante a coletiva, o governador Daniel Vilela afirmou que o Cora já funciona plenamente e atende toda a demanda que procura a unidade. “Funcionando 100%. Todo mundo que vem em busca de tratamento passa pelas consultas e todo encaminhamento necessário para o tratamento é dado aqui”, declarou.

Apesar da afirmação, a própria Secretaria Estadual de Saúde informou que o hospital ainda não possui serviço próprio de radioterapia, considerada uma das principais modalidades utilizadas no tratamento do câncer. Atualmente, os pacientes que necessitam do procedimento são encaminhados para atendimento terceirizado.

“A gente ainda não tem a radioterapia aqui nesse hospital. Vamos iniciar agora o projeto para construção para que a gente possa ofertar a radioterapia e ter realmente a autossuficiência no atendimento oncológico total”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Rasível dos Reis.

A radioterapia utiliza radiação para destruir células tumorais ou impedir o avanço da doença e integra o tratamento de diversos tipos de câncer, muitas vezes em conjunto com cirurgia e quimioterapia. A ausência do serviço dentro do próprio complexo faz com que parte do atendimento ainda dependa de estruturas externas.

Segundo o secretário, a radioterapia é atualmente a principal etapa do tratamento que ainda não está disponível na unidade.

“Já estamos atendendo todo o estado. Esses casos, com exceção da radioterapia, que a gente está terceirizando porque ainda não tem o equipamento aqui”, disse.

Ocupação está em 75%

Outro dado apresentado durante a coletiva mostra que o hospital ainda possui capacidade disponível para ampliação dos atendimentos. De acordo com a Secretaria de Saúde, a taxa atual de ocupação é de aproximadamente 75% dos 60 leitos existentes no complexo.

“Hoje nós estamos com ocupação de 75% desse hospital. A gente está cada vez mais utilizando a estrutura de acordo com a demanda que tem”, afirmou Rasível.

Mesmo com parte dos leitos disponíveis, o secretário afirmou que o Estado conseguiu eliminar a demanda reprimida para internações em oncologia pediátrica. “A gente já não tem mais demanda reprimida para internação em oncologia no nosso estado. Estamos conseguindo absorver as crianças aqui”, declarou.

Hospital recebeu mais pacientes do que o previsto

Apesar dos desafios apontados pela própria gestão, os números apresentados mostram uma procura superior à estimada quando a unidade entrou em funcionamento.

A expectativa inicial da Secretaria de Saúde era atender entre 300 e 350 novos casos por ano. Segundo o balanço divulgado, o hospital encerrou o primeiro ano com 420 novos pacientes.

“A gente tinha expectativa de atender entre 300 e 350 casos novos por ano. Nesse primeiro ano já tivemos 420 casos novos. Isso demonstra realmente a grande necessidade do hospital”, afirmou o secretário.

Segundo ele, parte dessa demanda era formada por pacientes que enfrentavam dificuldades para acessar centros especializados fora de Goiás, mesmo quando havia encaminhamento pelo Tratamento Fora de Domicílio (TFD). “Muitas vezes as pessoas não tinham condição de deixar seu emprego, sua casa e sua família. Então vimos inclusive alguns casos chegando em estágio mais avançado da doença”, disse.

O balanço divulgado pelo governo aponta ainda a realização de 5.480 consultas médicas ambulatoriais, 2.433 sessões de quimioterapia, 8.383 atendimentos multiprofissionais e 1.420 procedimentos cirúrgicos durante os primeiros 12 meses de funcionamento.

Transplantes ainda avançam de forma gradual

Outro serviço destacado durante a apresentação foi o transplante autólogo de medula óssea, iniciado recentemente na unidade.

Até o momento, foram realizados quatro procedimentos.

Questionado sobre a diferença entre esse número e a capacidade anunciada pelo hospital, estimada entre quatro e cinco transplantes por mês, o secretário afirmou que a quantidade acompanha a demanda existente. “Todos os casos que tinham indicação estão sendo atendidos. Estamos assumindo toda a demanda que existe”, afirmou.

O presidente da Fundação Pio XII e do Hospital de Amor de Barretos, Henrique Prata, afirmou que a implantação desse tipo de serviço ocorre de forma gradual e depende de protocolos técnicos e habilitações específicas.

“É um processo que está começando agora. Primeiro você passa por uma fase inicial, depois vai avançando para outros tipos de transplantes. É uma evolução que acontece paulatinamente”, explicou.

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Governo prepara expansão para oncologia adulta

Durante o evento, Daniel Vilela confirmou que o próximo passo do projeto é a construção da ala destinada ao tratamento oncológico de adultos.

Segundo o governador, a proposta já fazia parte do planejamento original do complexo, mas a prioridade inicial foi a implantação da estrutura pediátrica.

“Desde o início a ideia era poder construir um hospital adulto e também a ala infantil. Por algumas razões técnicas, acabamos iniciando pelo infantil. Agora vamos dar sequência e oferecer tratamento de combate ao câncer para todas as idades”, afirmou.

Daniel disse que os projetos executivos e complementares devem ser concluídos até o final deste ano ou início do próximo, com expectativa de início das obras posteriormente.

“Já temos um acordo com a Fundação Pio XII e com o Henrique Prata para concluir todos os projetos de engenharia, arquitetura e complementares até o final deste ano ou início do ano que vem, para que a gente possa, quem sabe no ano que vem, iniciar a construção do hospital adulto”, declarou.

Ao defender os resultados do primeiro ano da unidade, o governador afirmou que o hospital já mudou a realidade de famílias que antes precisavam deixar Goiás em busca de tratamento.

“É importante a gente comemorar esse primeiro ano. Só ele já justifica todo o investimento e todos os desafios que foram superados para que pudéssemos oferecer esse atendimento às famílias goianas”, concluiu.

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