terça-feira, 7 de julho de 2026
JORNADA DE TRABALHO

Fim da escala 6×1 segue sem previsão de votação no Senado

Proposta que reduz jornada de trabalho aguarda despacho para a Comissão de Constituição e Justiça; senadores admitem que discussão não deve avançar nos próximos dias

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 11 de junho de 2026
Senado
Apesar da Expectativa criada em torno do tema, parlamentares avaliam que o debate deve ser lento. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Bruno Goulart

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas continua parada no Senado Federal. Embora o texto tenha sido aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de maio, a matéria ainda não iniciou sua tramitação entre os senadores e depende de uma decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (UB-AP), para seguir adiante.

A PEC chegou ao Senado no dia 27 de maio, mas até o momento não foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo para que o projeto seja debatido pelos parlamentares. Nos bastidores, a demora tem gerado críticas e alimentado especulações sobre uma possível resistência à votação em ano eleitoral.

A proposta aprovada pelos deputados estabelece a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas e acaba com a escala 6×1, na qual o trabalhador atua durante seis dias consecutivos para ter apenas um dia de descanso. Pelo texto, os empregados passariam a ter dois dias de folga remunerada por semana. As mudanças entrariam em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.

Tramitação lenta

Apesar da expectativa criada em torno do tema, parlamentares avaliam que o debate deve ser lento. Ao O HOJE, o senador goiano Jorge Kajuru (PSB) afirma que a matéria não está entre as prioridades da Casa neste momento. “Vão levar com a barriga. Não haverá votação, nem discussão, nem qualquer movimentação relevante sobre isso nos próximos dias”, declara.

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A avaliação é semelhante à de outros senadores que acompanham a tramitação da proposta. Segundo relatos de bastidores, o presidente do Senado tem evitado assumir compromissos públicos sobre um calendário para análise da PEC. Na semana passada, Alcolumbre chegou a informar que discutiria o tema com líderes partidários, mas posteriormente recuou da ideia. O parlamentar do Amapá também cancelou uma reunião que teria com o presidente da CCJ, o senador Otto Alencar (PSD-BA), na qual seria discutida a escolha do relator da proposta.

Ainda assim, interlocutores do Senado afirmam que o presidente da Casa deverá definir nos próximos dias os encaminhamentos necessários para o início da tramitação.

Análise com cautela

Vice-presidente da CCJ, o senador goiano Vanderlan Cardoso (PSD) defende que o assunto seja analisado com cautela. Embora seja favorável à discussão sobre mudanças na jornada de trabalho, o pessedista ressalta a necessidade de aprofundar o debate antes de qualquer deliberação.

“O Senado tem a responsabilidade de analisar, debater e, se necessário, aprimorar as propostas que recebe”, argumenta o parlamentar, ao destacar que alterações com impacto direto sobre trabalhadores e empregadores exigem avaliação técnica e diálogo entre os setores envolvidos.

Além da PEC aprovada pela Câmara, os senadores também deverão examinar uma proposta alternativa apresentada pelo líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). O texto amplia a possibilidade de negociação entre empresas e trabalhadores sobre carga horária e modelos de jornada, ao oferecer uma abordagem diferente da defendida pelos autores da PEC principal.

Expectativa alta do governo

Nos bastidores do governo federal, a intenção é acelerar a tramitação para que a mudança produza efeitos ainda antes das eleições. Entretanto, mesmo que o despacho para a CCJ ocorra nos próximos dias, a proposta ainda precisará passar por discussões, votação na comissão e, posteriormente, pelo plenário do Senado. 

Caso os senadores façam alterações no texto aprovado pela Câmara, a matéria terá de retornar aos deputados para nova análise, o que dificultaria a aprovação antes das eleições de outubro, o que contraria a expectativa do presidente Lula da Silva (PT). (Especial para O HOJE)

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