quarta-feira, 21 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Aluguel de curta duração deixa de ser renda extra e vira negócio bilionário

Estudo da FGV aponta que a atividade ligada às plataformas de hospedagem gerou R$ 55,8 bilhões em PIB

Otavio Augustopor em
Aluguel de curta duração deixa de ser renda extra e vira negócio bilionário
Foto: Divulgação

O mercado de aluguel de curta duração vive um dos momentos mais aquecidos de sua história no Brasil. Impulsionado pela retomada definitiva do turismo, pela popularização das plataformas digitais e pela busca de investidores por fontes alternativas de renda, o segmento deixou de ser apenas uma opção para proprietários de casas de praia e passou a se consolidar como um modelo de negócio profissional e altamente lucrativo.

Dados de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontam que a atividade relacionada ao Airbnb movimentou cerca de R$ 100 bilhões na economia brasileira em um ano. O impacto econômico gerou aproximadamente R$ 55,8 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB), sustentou mais de 627 mil postos de trabalho e resultou em cerca de R$ 8 bilhões em tributos diretos. Além disso, para cada R$ 10 gastos por hóspedes em hospedagens de curta duração, outros R$ 52 circularam em setores como alimentação, transporte, comércio e entretenimento.

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Foto: Divulgação

De renda extra a atividade empresarial

O que começou como uma forma de complementar a renda tornou-se um verdadeiro ecossistema de negócios. Proprietários de imóveis passaram a investir em reformas, decoração, automação e serviços especializados para aumentar a atratividade de suas unidades.

Hoje, já existe uma cadeia econômica dedicada exclusivamente ao aluguel por temporada. Empresas de gestão de imóveis, fotografia profissional, limpeza, lavanderia, manutenção, consultoria em precificação e marketing digital surgiram para atender a crescente demanda de anfitriões que enxergam a atividade como empreendimento de longo prazo.

Em grandes centros urbanos e cidades turísticas, investidores já adquirem imóveis especificamente para destiná-los à locação de curta duração, em alguns casos alcançando rentabilidades superiores às obtidas no aluguel tradicional.

Turismo e trabalho remoto impulsionam demanda

A expansão do turismo doméstico e internacional está entre os principais motores do setor. Ao mesmo tempo, o crescimento do trabalho remoto e o surgimento dos chamados nômades digitais alteraram os padrões de hospedagem.

Cada vez mais pessoas buscam acomodações que ofereçam cozinha equipada, espaços para trabalho e maior privacidade, características que favoreceram os imóveis de temporada em relação aos meios de hospedagem convencionais.

Leia também: Junho vira temporada de ouro para pequenos negócios com São João e Copa

As plataformas digitais também ampliaram o alcance do mercado. Atualmente, milhões de viajantes utilizam serviços de aluguel por temporada em mais de 220 países e regiões do mundo, ampliando significativamente a exposição dos imóveis brasileiros ao público internacional.

Público investidor se diversifica

O crescimento do setor não se limita aos grandes investidores. A atividade tem atraído aposentados, famílias e pequenos proprietários que enxergam no aluguel de curta duração uma alternativa de geração de renda.

Entre 2020 e 2025, por exemplo, o número de anfitriões com mais de 60 anos cresceu mais de 155% no Brasil, demonstrando que a modalidade também se consolidou como fonte complementar de renda para pessoas que desejam monetizar imóveis ociosos.

Ao mesmo tempo, o mercado vem se profissionalizando rapidamente. Ferramentas de inteligência de dados permitem monitorar taxas de ocupação, sazonalidade, comportamento de preços e tendências de demanda, aproximando a atividade de um modelo empresarial estruturado.

Aluguel
Foto: Divulgação

Efeitos econômicos se espalham pelas cidades

O impacto dos aluguéis de curta duração vai muito além dos proprietários. A presença de hóspedes gera movimentação econômica em restaurantes, supermercados, serviços de transporte, comércio local e atividades de lazer.

Em cidades turísticas, o modelo também contribui para distribuir visitantes por diferentes bairros, ampliando as oportunidades econômicas para pequenos negócios e empreendedores locais.

Especialistas apontam que a modalidade passou a integrar a chamada economia das plataformas, na qual tecnologia, turismo e mercado imobiliário se conectam para criar novas formas de geração de renda e de aproveitamento dos ativos urbanos.

 

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