Inadimplência bate recorde e atinge quase metade dos goianos
Indicador da CNDL e SPC aponta recorde nacional; levantamento da Serasa mostra 47,19% dos adultos goianos negativados em julho
A inadimplência atingiu níveis recordes no Brasil em julho, com dezenas de milhões de consumidores enfrentando dificuldades para manter as contas em dia. Indicadores de diferentes instituições apontam para a dimensão do problema e mostram que o avanço das dívidas não se restringe a uma faixa específica da população. Em Goiás, embora o percentual de adultos negativados esteja abaixo da média nacional, quase metade da população adulta aparece nessa situação.
Segundo o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, 75,08 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em julho, o equivalente a 44,75% da população adulta. Na comparação com junho, houve crescimento de 0,47% no número de devedores. O levantamento também aponta alta de 14,18% na quantidade de dívidas em atraso em um ano.
O cenário não se limita a débitos de consumo não essenciais. As dívidas com água e luz cresceram 22% em relação a julho de 2025, enquanto as pendências com bancos aumentaram 12,92% e as de comunicação, 12,62%. Para o economista Leonardo Ferraz, o avanço das contas básicas é um sinal de que o orçamento de parte das famílias está fortemente comprometido.
“Quando uma família começa a atrasar contas essenciais, isso indica que o orçamento está bastante comprometido. Muitas vezes, ela precisa escolher qual conta pagar primeiro, deixando outras para depois”, afirma ao O HOJE.
O levantamento mostra ainda que cada inadimplente tinha, em média, R$ 5.205,30 em dívidas e pendências com cerca de 2,34 empresas credoras. Quase três em cada dez consumidores tinham dívidas de até R$ 500, enquanto 41,16% possuíam débitos de até R$ 1 mil.
Entre as faixas etárias, a maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, com 18,19 milhões de pessoas. Nessa faixa, 53,68% da população está negativada. O economista avalia que o resultado nacional é consequência da combinação de juros elevados, crédito caro e pressão sobre o orçamento familiar. “O problema não é apenas o tamanho da dívida, mas a dificuldade de fazer a renda acompanhar o custo de vida e os juros”, explica.
Goiás fica abaixo da média nacional
Em Goiás, o cenário é menos elevado que o observado no conjunto do país, mas ainda alcança uma parcela expressiva da população. O Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, aponta que 47,19% dos adultos goianos estavam inadimplentes em julho. O percentual coloca Goiás na 10ª menor taxa entre as 27 unidades da Federação e abaixo da média brasileira, de 51,04%, segundo o levantamento da instituição.
No Centro-Oeste, Goiás apresentou a menor proporção de adultos negativados. Mato Grosso registrou 53,64%, Mato Grosso do Sul, 60,29%, e o Distrito Federal, 63,02%. A diferença entre Goiás e a média brasileira é de 3,85 pontos percentuais.
Para Ferraz, o resultado de Goiás pode estar relacionado à composição da economia estadual. “Goiás possui uma economia diversificada, com força do agronegócio, indústria, comércio e serviços, além de um mercado de trabalho que ajuda a sustentar a renda das famílias”, afirma.
Apesar da posição relativamente melhor, o percentual ainda representa uma restrição importante para o consumo. “Aproximadamente 47% de inadimplência ainda representa uma limitação importante ao consumo. Quanto mais pessoas ficam negativadas, menor tende a ser a capacidade de financiar veículos, imóveis e outros bens, além de utilizar crédito para compras do cotidiano”, diz o economista.
Renegociação
Os dados também mostram a procura por alternativas para regularizar os débitos. Em Goiás, 170.792 acordos foram fechados pelo Serasa Limpa Nome em julho. No país, foram quase 5 milhões de acordos, com valor médio de R$ 761 e mais de R$ 13,9 bilhões em descontos concedidos.
Para Ferraz, a renegociação pode facilitar a retomada do acesso ao crédito, mas não elimina, sozinha, as causas que levaram ao atraso. “Se a renda continuar insuficiente e o orçamento permanecer desequilibrado, existe risco de uma nova inadimplência”, afirma.
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