segunda-feira, 6 de julho de 2026
Senado

Alcolumbre segura pautas do governo enquanto beneficia outros setores econômicos

Enquanto PEC da Segurança Pública e a proposta do fim da escala 6×1 aguardam andamento, projetos defendidos por setores como o agro avançam com mais rapidez no Congresso

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 16 de junho de 2026
Alcolumbre
Senado aprovou crédito especial para renegociação de dívidas rurais com impacto estimado em até R$ 140 bilhões. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Bruno Goulart

As principais pautas do governo do presidente Lula da Silva (PT) continuam a enfrentar dificuldades para avançar no Senado Federal. Propostas consideradas estratégicas pelo Palácio do Planalto, como a PEC da Segurança Pública e a PEC do fim da escala 6×1, seguem sem definição sobre os próximos passos na Casa. Em contrapartida, projetos defendidos por setores econômicos organizados, como o agronegócio, têm tramitado mais rápido, mesmo quando envolvem elevado impacto fiscal.

A situação ficou evidente nas últimas semanas. Enquanto o governo aguardava algum avanço na proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, aprovada pela Câmara dos Deputados, o Senado deu andamento a matérias consideradas sensíveis pela equipe econômica. O caso mais emblemático foi a aprovação de uma linha especial de crédito para renegociação das dívidas do setor rural, medida que pode gerar um impacto estimado em até R$ 140 bilhões para os cofres públicos.

O contraste tem sido interpretado por integrantes do governo como um sinal de que pautas ligadas a segmentos econômicos que financiam políticos continuam a encontrar mais receptividade entre os parlamentares do que propostas patrocinadas pelo Executivo que sejam de cunho social.

Além da PEC que trata do fim da escala 6×1, o governo também aguarda movimentações em torno da PEC da Segurança Pública. As duas propostas dependem de decisões da presidência do Senado para que a tramitação avance. No entanto, até o momento, não houve sinalização concreta nesse sentido. Nesta semana, inclusive, o Senado funciona em regime de sessões semipresenciais, o que reduz ainda mais as expectativas de novidades em relação às matérias.

À espera de conversa com Lula

Nos bastidores, parlamentares relatam que o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem condicionado o avanço das pautas prioritárias do governo a uma conversa direta com Lula. A mensagem já teria sido transmitida ao Palácio do Planalto. Apesar das tentativas de interlocutores de ambos os lados para construir uma agenda entre os dois líderes, a avaliação predominante é de que o encontro ainda não tem data para ocorrer e, no curto prazo, é considerado improvável.

Leia mais: Senado ganha protagonismo diante da polarização Lula e Flávio Bolsonaro

A relação entre Lula e Alcolumbre atravessa um período de desgaste político. Embora mantenham canais institucionais abertos, divergências sobre a condução de pautas legislativas e a distribuição de espaços de poder têm contribuído para o distanciamento entre o Executivo e o comando do Congresso.

Rodrigo Pacheco

É nesse contexto que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado, aparece como uma possível peça para destravar o diálogo. Com bom trânsito tanto no Palácio do Planalto quanto entre lideranças do Congresso, o parlamentar de Rondônia que representa Minas Gerais no Congresso tem sido apontado como um potencial interlocutor entre Lula e Alcolumbre. Aliados dizem acreditar que sua experiência na condução da Casa e seu perfil conciliador podem ajudar a reduzir tensões e construir consensos em torno das matérias paradas.

Pacheco também é citado como um dos nomes mais cotados para assumir a relatoria da PEC que trata do fim da escala 6×1 no Senado. A escolha é vista como uma tentativa de conferir maior equilíbrio ao debate e facilitar as negociações entre governo, parlamentares e representantes do setor produtivo.

Embora tenha declarado recentemente que não pretende disputar o Governo de Minas Gerais em 2026 e que planeja encerrar sua trajetória política ao término do mandato, em 2027, Rodrigo Pacheco continua a exercer influência nas principais articulações de Brasília. (Especial para O HOJE)

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