quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Senado

Alcolumbre segura pautas do governo enquanto beneficia outros setores econômicos

Enquanto PEC da Segurança Pública e a proposta do fim da escala 6×1 aguardam andamento, projetos defendidos por setores como o agro avançam com mais rapidez no Congresso

Bruno Goulartpor em
Alcolumbre
Senado aprovou crédito especial para renegociação de dívidas rurais com impacto estimado em até R$ 140 bilhões. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Bruno Goulart

As principais pautas do governo do presidente Lula da Silva (PT) continuam a enfrentar dificuldades para avançar no Senado Federal. Propostas consideradas estratégicas pelo Palácio do Planalto, como a PEC da Segurança Pública e a PEC do fim da escala 6×1, seguem sem definição sobre os próximos passos na Casa. Em contrapartida, projetos defendidos por setores econômicos organizados, como o agronegócio, têm tramitado mais rápido, mesmo quando envolvem elevado impacto fiscal.

A situação ficou evidente nas últimas semanas. Enquanto o governo aguardava algum avanço na proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, aprovada pela Câmara dos Deputados, o Senado deu andamento a matérias consideradas sensíveis pela equipe econômica. O caso mais emblemático foi a aprovação de uma linha especial de crédito para renegociação das dívidas do setor rural, medida que pode gerar um impacto estimado em até R$ 140 bilhões para os cofres públicos.

O contraste tem sido interpretado por integrantes do governo como um sinal de que pautas ligadas a segmentos econômicos que financiam políticos continuam a encontrar mais receptividade entre os parlamentares do que propostas patrocinadas pelo Executivo que sejam de cunho social.

Além da PEC que trata do fim da escala 6×1, o governo também aguarda movimentações em torno da PEC da Segurança Pública. As duas propostas dependem de decisões da presidência do Senado para que a tramitação avance. No entanto, até o momento, não houve sinalização concreta nesse sentido. Nesta semana, inclusive, o Senado funciona em regime de sessões semipresenciais, o que reduz ainda mais as expectativas de novidades em relação às matérias.

À espera de conversa com Lula

Nos bastidores, parlamentares relatam que o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem condicionado o avanço das pautas prioritárias do governo a uma conversa direta com Lula. A mensagem já teria sido transmitida ao Palácio do Planalto. Apesar das tentativas de interlocutores de ambos os lados para construir uma agenda entre os dois líderes, a avaliação predominante é de que o encontro ainda não tem data para ocorrer e, no curto prazo, é considerado improvável.

Leia mais: Senado ganha protagonismo diante da polarização Lula e Flávio Bolsonaro

A relação entre Lula e Alcolumbre atravessa um período de desgaste político. Embora mantenham canais institucionais abertos, divergências sobre a condução de pautas legislativas e a distribuição de espaços de poder têm contribuído para o distanciamento entre o Executivo e o comando do Congresso.

Rodrigo Pacheco

É nesse contexto que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado, aparece como uma possível peça para destravar o diálogo. Com bom trânsito tanto no Palácio do Planalto quanto entre lideranças do Congresso, o parlamentar de Rondônia que representa Minas Gerais no Congresso tem sido apontado como um potencial interlocutor entre Lula e Alcolumbre. Aliados dizem acreditar que sua experiência na condução da Casa e seu perfil conciliador podem ajudar a reduzir tensões e construir consensos em torno das matérias paradas.

Pacheco também é citado como um dos nomes mais cotados para assumir a relatoria da PEC que trata do fim da escala 6×1 no Senado. A escolha é vista como uma tentativa de conferir maior equilíbrio ao debate e facilitar as negociações entre governo, parlamentares e representantes do setor produtivo.

Embora tenha declarado recentemente que não pretende disputar o Governo de Minas Gerais em 2026 e que planeja encerrar sua trajetória política ao término do mandato, em 2027, Rodrigo Pacheco continua a exercer influência nas principais articulações de Brasília. (Especial para O HOJE)

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