segunda-feira, 6 de julho de 2026
Avanço

Acordo Mercosul-EFTA pode impulsionar exportações e atrair investimentos para Goiás

Tratado internacional ainda será analisado pelo Senado e pode beneficiar setores como agronegócio, indústria e polo farmacêutico

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 16 de junho de 2026
Mercosul
Gilberto Sousa/CNI

O Senado Federal deve analisar, nos próximos dias, o acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Considerado um dos tratados comerciais mais relevantes dos últimos anos, o acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas para a maioria dos produtos comercializados entre os países envolvidos e pode abrir novas oportunidades para a economia goiana.

A proposta surge em um momento em que ampliar mercados deixou de ser apenas uma estratégia e passou a ser uma necessidade diante das incertezas da economia mundial. Além de facilitar as exportações, o tratado também cria um ambiente mais favorável para investimentos, transferência de tecnologia e integração das empresas brasileiras às cadeias globais de produção.

Para Goiás, os impactos podem ser expressivos. O Estado já mantém relações comerciais com os países da EFTA e possui setores consolidados que podem se beneficiar diretamente da abertura econômica, como o agronegócio, a mineração, a agroindústria e o polo farmacêutico de Anápolis.

Atualmente, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Goiás exporta produtos como ouro em barras, ferro-nióbio, café em grão e carne bovina congelada para os países do bloco europeu. Somente em 2025, as exportações goianas para a EFTA somaram cerca de US$ 18,5 milhões.

A gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, explica que Goiás reúne características que o colocam em posição privilegiada para aproveitar os benefícios do acordo.

“Goiás possui potencial significativo para se beneficiar do Acordo Mercosul-EFTA, especialmente em setores nos quais o Estado já apresenta elevada competitividade internacional, como agronegócio, mineração e algumas atividades industriais. A redução ou eliminação de tarifas, aliada à diminuição de barreiras técnicas e à maior previsibilidade regulatória, tende a ampliar as oportunidades de acesso aos mercados da Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein”, afirma.

Agronegócio aparece entre os principais beneficiados

No campo, a expectativa é de fortalecimento das exportações e ampliação da produção. As cadeias produtivas da carne bovina, do café e dos alimentos processados aparecem entre as principais beneficiadas pela nova parceria comercial.

Além da redução das tarifas, o acordo também moderniza regras sanitárias e fitossanitárias, facilitando a entrada dos produtos brasileiros em mercados conhecidos pelo alto rigor técnico.

O gerente técnico do Grupo de Estudos Técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novaes, destaca que a expansão para novos mercados tende a gerar efeitos positivos em toda a economia.

“A partir do momento em que Goiás adentrar esses novos mercados, terá que produzir mais, gerando novos investimentos não somente em plantio e produção, mas também na logística de transporte, armazenamento e na cadeia de frios, gerando, a partir daí, mais empregos e renda no campo, nas indústrias, no transporte e no comércio”, explica.

Segundo ele, os produtores goianos já estão preparados para atender aos padrões internacionais exigidos. “Goiás já atende às exigências sanitárias mais rígidas do mundo com relação a vários produtos e mercados. Grande parte dos produtos que foram abertos pelo Brasil para esses novos mercados Goiás já exporta para diversos outros destinos internacionais”, ressalta.

Leia mais: Novos mercados internacionais podem ampliar exportações e fortalecer agronegócio de Goiás

Polo farmacêutico de Anápolis também pode ganhar força

Outro setor que desponta como beneficiado é o polo farmacêutico de Anápolis, considerado um dos maiores do País. Isso porque a Suíça, principal economia da EFTA, concentra algumas das maiores empresas farmacêuticas do mundo e importantes centros de pesquisa, inovação e biotecnologia.

A expectativa é que o acordo facilite o acesso das empresas goianas a insumos, equipamentos, medicamentos biológicos e tecnologias avançadas, aumentando a produtividade e fortalecendo a competitividade da indústria instalada no Estado.

A Fieg também aponta oportunidades para outros segmentos industriais, como alimentos e bebidas, biotecnologia, cosméticos, suplementos alimentares, produtos químicos, máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio.

Mercados como Suíça e Noruega são extremamente rigorosos em relação à qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e padrões sanitários dos produtos. Por isso, a preparação das empresas será fundamental para transformar a abertura comercial em crescimento econômico.

A Fieg afirma que já acompanha a tramitação do acordo por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN), responsável por orientar as empresas sobre certificações e regras de origem necessárias para acessar os benefícios tarifários.

Na avaliação da entidade, o tratado não apenas fortalece setores já consolidados, mas também cria oportunidades para que novas empresas goianas iniciem sua trajetória internacional.

Caso seja aprovado pelo Senado e, posteriormente, ratificado pelos demais países, o acordo entre Mercosul e EFTA poderá representar um novo capítulo para a economia goiana. 

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