quinta-feira, 18 de junho de 2026
POLÍTICA

Eleições de 2026 terão novas regras para uso de inteligência artificial e exigirão mais transparência de candidatos

Justiça Eleitoral determina que conteúdos gerados por IA sejam identificados nas campanhas e amplia restrições para combater desinformação no ambiente digital

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 18 de junho de 2026
Eleições de 2026 terão novas regras para uso de inteligência artificial e exigirão mais transparência de candidatos
O advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins explica que o objetivo da regulamentação é equilibrar inovação e responsabilidade no ambiente político. (Foto: Divulgação)

As eleições de 2026 serão as primeiras a seguir normas mais rigorosas para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. As novas regras buscam ampliar a transparência no conteúdo divulgado por candidatos, partidos e coligações, além de reduzir riscos de desinformação durante o período de campanha.

Com o avanço de ferramentas capazes de criar imagens, vídeos e áudios altamente realistas, a Justiça Eleitoral atualizou as diretrizes para acompanhar a evolução tecnológica sem comprometer a integridade do processo eleitoral.

Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade de identificar de forma clara quando um conteúdo tiver sido criado ou significativamente alterado por inteligência artificial. A exigência vale para materiais em diferentes formatos, como vídeos, imagens, áudios e peças publicitárias utilizadas nas campanhas.

As novas regras também reforçam o combate à disseminação de conteúdos manipulados que possam distorcer informações, prejudicar candidaturas ou influenciar indevidamente o eleitorado. O uso de deepfakes, tecnologia que simula de forma artificial imagens e vozes de pessoas, está entre os principais pontos de atenção.

O advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins explica que o objetivo da regulamentação é equilibrar inovação e responsabilidade no ambiente político.

“A inteligência artificial pode ser utilizada nas campanhas, mas dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral. O principal objetivo das novas regras é garantir transparência ao eleitor e impedir que conteúdos manipulados sejam utilizados para enganar a população ou interferir indevidamente no processo eleitoral”, afirma.

Além da identificação obrigatória de conteúdos sintéticos, o Tribunal Superior Eleitoral também estabeleceu restrições para a divulgação de materiais gerados por inteligência artificial em períodos críticos da eleição, como nas horas que antecedem a votação e logo após o encerramento do pleito.

O descumprimento das normas pode resultar na remoção do conteúdo, aplicação de multas e outras sanções previstas na legislação eleitoral, especialmente em casos de uso indevido dos meios de comunicação.

Para especialistas, o desafio das campanhas será adaptar o uso das novas tecnologias às exigências legais, garantindo inovação sem comprometer a confiança do eleitor.

“O uso inadequado dessas ferramentas pode gerar consequências jurídicas relevantes. Não basta apenas produzir conteúdo; é necessário observar os critérios de transparência e as limitações impostas pela Justiça Eleitoral para evitar sanções”, reforça Newton Lins.

A expectativa é que a regulamentação se torne um marco no combate à desinformação digital e na construção de um ambiente eleitoral mais transparente e seguro para o eleitorado brasileiro.

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