quinta-feira, 18 de junho de 2026
Brasília

Recesso e eleição apertam prazo para pautas do governo no Congresso

Com retirada da urgência do PL sobre a escala 6×1, Câmara tenta destravar votações; no Senado, propostas de interesse do Planalto seguem sem avanço em meio ao esvaziamento de Brasília antes da campanha eleitoral

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 18 de junho de 2026
Congresso
Avaliação nos bastidores é que o tempo político ficou curto: primeiro vem o recesso, depois a campanha eleitoral e Brasília tende a ficar cada vez mais esvaziada. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr

Bruno Goulart

Com a aproximação do recesso parlamentar, pautas consideradas prioritárias para o governo federal seguem sem definição no Congresso Nacional. Entre elas está a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, tema que ganhou força no debate público, mas que agora enfrenta um cenário mais difícil para avançar antes das eleições. A avaliação nos bastidores é de que o tempo político ficou curto: primeiro vem o recesso, depois a campanha eleitoral e Brasília tende a ficar cada vez mais esvaziada.

Câmara

Na Câmara dos Deputados, o governo decidiu retirar o regime de urgência constitucional do PL 1.838/2026, de sua autoria, que trata da redução da jornada de trabalho. A medida foi tomada para destravar a pauta de votações da Casa. Isso porque, quando um projeto tramita com urgência constitucional, os deputados têm até 45 dias para analisá-lo. Se esse prazo não for cumprido, outras votações ficam bloqueadas no plenário. Na prática, a retirada da urgência libera a Câmara para votar outros temas de interesse do governo.

No entanto, a decisão também tem efeito político sobre a proposta da escala 6×1. Sem a urgência, o texto perde prioridade imediata e passa a depender de acordo entre líderes para voltar à pauta. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já defendia que o governo retirasse a urgência sob o argumento de que uma proposta sobre o mesmo tema já havia sido aprovada pela Câmara e enviada ao Senado.

Com a pauta destravada, o Palácio do Planalto espera avançar em outras matérias, como a atualização do teto do Microempreendedor Individual (MEI), a regulação da Inteligência Artificial e a criminalização da misoginia. Além disso, o governo tenta conter o avanço das chamadas “pautas-bomba”, expressão usada para propostas que criam despesas bilionárias ou reduzem a arrecadação pública. Segundo cálculos iniciais do Ministério da Fazenda, projetos em análise no Congresso podem gerar impacto de R$ 111 bilhões por ano.

Senado

Por outro lado, no Senado Federal, o problema é diferente. Não há uma pauta travada por prazo constitucional, como ocorreu na Câmara. O que existe é uma paralisia política. Matérias importantes para o governo estão sem andamento em meio ao distanciamento entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o Palácio do Planalto. Entre os textos parados estão a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

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Para o deputado federal Ismael Alexandrino (PSD), a retirada da urgência pode abrir espaço para outras votações, mas prejudica diretamente o andamento do PL 1.838/2026 sobre a escala 6×1. “Com essa retirada do regime de urgência, a proposta tende a perder prioridade neste momento. Isso dificulta a aprovação antes das eleições”, afirma ao O HOJE.

Segundo o parlamentar, a falta de consenso pesa contra a proposta. “O projeto (PEC do fim da escala 6×1) também está em discussão no Senado, onde foi apresentada uma proposta alternativa. Hoje, não há consenso sobre o tema e, quando não há consenso, dificilmente existem votos suficientes para aprovar o texto que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Portanto, a proposta pode, sim, ser prejudicada”, avalia Alexandrino.

O deputado do PSD também lembra que outras pautas seguem represadas no Congresso. Entre elas estão a regulamentação da insalubridade para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, a criação dos fundos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além da PEC 18, conhecida como PEC da Segurança Pública.

“Muitas dessas matérias estavam travadas justamente por causa do regime de urgência de outras propostas. Com a retirada desse mecanismo, acredito que essas pautas possam voltar a avançar. No entanto, especificamente no caso do fim da escala 6×1, a tendência é que a proposta enfrente mais dificuldades para ser aprovada antes das eleições”, completa o deputado. (Especial para O HOJE)

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