quinta-feira, 2 de julho de 2026
POLÍTICA

“A direita está unida”, diz Celina ao negar racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Governadora afirma que crise no PL será superada, defende permanência de Michelle na política e descarta divisão no campo conservador às vésperas das eleições de 2026

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 2 de julho de 2026
“A direita está unida”, diz Celina ao negar racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro
Governadora Celina Leão (Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília)

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) afirmou que não vê ruptura entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, apesar da crise interna que atingiu o Partido Liberal (PL) nos últimos dias. Segundo ela, o grupo permanece unido e as divergências serão resolvidas por meio do diálogo.

“A direita está unida. Não existe ruptura. Tenho certeza de que todos estarão juntos nesse projeto”, declarou Celina durante agenda oficial no Distrito Federal, após se reunir com Michelle e com a senadora Damares Alves.

A manifestação ocorre em meio à repercussão da saída de Michelle da presidência do PL Mulher, decisão anunciada após o desgaste público com Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama afirmou que deixaria o comando do segmento feminino para se dedicar à família e aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas o anúncio foi antecedido por declarações em que relatou ter sido “humilhada” e “maltratada” pelo enteado durante divergências políticas internas.

Celina, no entanto, minimizou o episódio e disse acreditar que o momento exige cautela e união do grupo político.

Segundo a governadora, ela e Damares conversaram com Michelle para convencê-la a permanecer na vida pública e manter sua participação no projeto político da direita.

“Michelle continua no projeto. Ela está vivendo um momento delicado com a família, mas isso não significa afastamento da política. Nosso papel foi apoiá-la e mostrar que ela é importante para esse grupo”, afirmou Celina.

Crise expôs tensão no PL

A crise ganhou força após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais relatando desentendimentos com Flávio Bolsonaro. Nas gravações, ela afirmou ter se sentido desrespeitada durante uma conversa com o senador sobre articulações políticas envolvendo o PL no Ceará. O episódio alimentou especulações sobre uma possível divisão no núcleo bolsonarista e levantou dúvidas sobre a participação de Michelle na campanha eleitoral de 2026.

Desde então, lideranças do PL e aliados do ex-presidente passaram a defender publicamente a pacificação do grupo. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que divergências fazem parte da vida partidária e que o partido permanece unido para as eleições.

Aliada de Michelle

Celina é considerada uma das principais aliadas de Michelle Bolsonaro no Distrito Federal. Nos últimos meses, as duas intensificaram aparições públicas e reforçaram a aproximação política, especialmente após o desgaste entre a governadora e o ex-governador Ibaneis Rocha, que levou à reorganização das alianças da base governista.

Apesar da turbulência dentro do PL, a governadora afirmou que acredita na construção de uma candidatura unificada do campo conservador em 2026 e voltou a defender que o foco permaneça na disputa contra os adversários políticos.

“Nós temos um projeto maior. Não podemos permitir que divergências internas enfraqueçam aquilo que estamos construindo. Tenho convicção de que haverá diálogo e entendimento”, concluiu.

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