sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Eleições 2026

Aliados viram peças-chave na disputa pelo Governo de Goiás

Daniel Vilela aposta na força de Caiado, Wilder Morais busca projeção com nomes do PL e Marconi Perillo recorre ao próprio grupo político para ampliar espaço na campanha

Bruno Goulartpor em
Daniel, Wilder e Marconi
Toda a campanha, inclusive a propaganda eleitoral de rádio e TV, começa no próximo domingo (16). Fotos: Reprodução e Divulgação

Bruno Goulart

Os principais candidatos ao Governo de Goiás devem dividir cada vez mais espaço com aliados nas propagandas, nas agendas e nas redes sociais. As estratégias, porém, são diferentes para Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL). Enquanto o governador pretende explorar a imagem de Ronaldo Caiado (PSD) para reforçar a ideia de continuidade, Wilder tende a recorrer a Flávio Bolsonaro e a outros nomes conhecidos do PL. Marconi, por sua vez, deve buscar força entre lideranças que fazem parte do grupo político.

Preservar vantagem

Daniel aparece na dianteira da disputa e, por isso, enfrenta um desafio diferente dos adversários. Mais do que buscar uma mudança brusca de estratégia, o governador precisa preservar a vantagem e impedir que os concorrentes ocupem espaços durante a campanha. Nesse cenário, a presença de Caiado tende a ser um dos principais ativos do emedebista, principalmente pela ligação direta entre os dois governos.

Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, Daniel deve reforçar justamente essa imagem de continuidade. “A estratégia tem que ser mostrar que é um governo de continuidade”, afirma. Segundo o especialista, uma ruptura com a administração anterior poderia criar dificuldades para uma candidatura que se apresenta como sucessora direta do projeto político de Caiado.

Por isso, a campanha deve associar com frequência as imagens de Daniel e do ex-governador, que disputa a Presidência da República. “É mostrar que o governo não vai dar cavalo de pau, que quem acredita em Daniel acredita em Caiado”, analisa Zancopé. Além disso, o especialista considera que o emedebista pode explorar a ligação histórica da família Vilela com Iris Rezende e reforçar uma imagem própria de gestor. “É associar o nome de Daniel ao de Caiado e também ao de Iris, mostrar que Daniel também é tocador de obras, que tem capacidade de gestão.”

Busca por expansão

Se Daniel trabalha para conservar terreno, Wilder precisa fazer o movimento contrário. O candidato do PL aparece atrás dos dois primeiros colocados e terá de buscar uma expansão mais rápida de sua presença no Estado. A proximidade com Flávio Bolsonaro e com outras lideranças nacionais do partido deve ser explorada para fortalecer a identificação com o eleitorado bolsonarista, mas a estratégia nacional, sozinha, pode não ser suficiente.

Na avaliação de Zancopé, Wilder precisa aumentar a presença física nos municípios. “O Wilder tem que fazer algo que não fez durante a pré-campanha e nos últimos anos: andar e visitar o Estado de Goiás”, afirma. O desafio, contudo, é fazer com que essa movimentação não pareça apenas uma aproximação provocada pela chegada das eleições.

O especialista aponta justamente esse risco. “Quando você está em um momento pré-eleitoral e vê o candidato apenas naquele instante, sem vê-lo antes nem depois, fica parecendo oportunismo.” Para Zancopé, Wilder terá de convencer o eleitor de que a intensificação das viagens não é apenas circunstancial. “Fica esse dilema: o Wilder é mais empresário do que político ou mais político do que empresário?”

Nesse sentido, as gravações com lideranças do interior e a participação de figuras conhecidas do PL podem ajudar o senador a aumentar a exposição, mas a campanha terá de combinar propaganda com presença territorial. A tarefa é reduzir a distância para Daniel e Marconi sem ficar dependente exclusivamente da força nacional do partido.

Marconi sem padrinho

Já Marconi chega à campanha com outro tipo de ativo. O tucano governou Goiás por quatro mandatos e mantém uma rede de antigos aliados espalhada pelo Estado. Sem um padrinho nacional com peso semelhante ao que Daniel encontra em Caiado ou Wilder, que se apoia no grupo bolsonarista, o ex-governador tende a recorrer à própria história política e às lideranças que participaram de suas administrações.

Para Zancopé, entretanto, o crescimento de Marconi dependerá de uma busca direta pelo eleitor insatisfeito com o atual governo. “Marconi tem que visitar esse eleitor de maneira minuciosa, fazer um trabalho de formiguinha para mostrar que quem está descontente com Daniel encontra uma alternativa na oposição ao caiadismo.” (Especial para O HOJE)

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Tags:
Candidatos Daniel Vilela Governo de Goiás Marconi Perillo wilder morais

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