quinta-feira, 2 de julho de 2026
Operação Hydra 256

Operação revela esquema que manipulava sistema da Justiça para bloquear contas bancárias em Goiás

Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara das Garantias da Comarca de Goiânia

Micael Mourapor Micael Moura em 2 de julho de 2026
Operação
Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), deflagrou nesta quinta-feira (2) a Operação Hydra 256 para investigar um grupo suspeito de invadir sistemas judiciais e inserir ordens fraudulentas de bloqueio patrimonial no sistema SISBAJUD.

Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara das Garantias da Comarca de Goiânia. As medidas foram realizadas nos estados de Goiás e São Paulo. Em Goiás, foram cumpridas duas prisões temporárias e duas buscas domiciliares. Em São Paulo, foi realizada uma busca.

Investigação começou após denúncia do Poder Judiciário

Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após uma comunicação encaminhada pelo Poder Judiciário, que informou a inserção indevida de ordens de bloqueio patrimonial no SISBAJUD por meio do uso fraudulento de credenciais institucionais pertencentes a uma magistrada e a servidores do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas.

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As apurações apontam que os investigados acessaram ilegalmente sistemas judiciais considerados de alta sensibilidade e inseriram ordens falsas de bloqueio de ativos financeiros, além de manipularem registros judiciais sem autorização legal.

Processo arquivado foi utilizado para aplicar bloqueios

Durante as investigações, a DERCC constatou que um processo judicial arquivado foi utilizado de forma fraudulenta como base para a inserção das ordens ilegítimas, o que resultou no bloqueio indevido de contas bancárias de diversas pessoas em diferentes estados do país.

Foto: Divulgação

Com apoio de informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a análise técnica identificou 256 lançamentos fraudulentos no sistema SISBAJUD, todos vinculados indevidamente ao mesmo processo judicial. O número inspirou o nome da operação.

Investigados utilizavam VPN para ocultar acessos

Ainda conforme a Polícia Civil, os investigados utilizaram mecanismos para ocultar a autoria dos crimes, incluindo conexões realizadas por meio de redes privadas virtuais (VPNs). A investigação também identificou concentração de acessos em infraestruturas de internet localizadas nos estados de Goiás e São Paulo.

O nome Hydra 256 faz referência à criatura da mitologia grega, símbolo de uma ameaça complexa e multifacetada, em alusão à atuação estruturada do grupo investigado e aos 256 registros fraudulentos identificados.

Computadores e credenciais foram apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais apreenderam computadores, dispositivos eletrônicos e mídias digitais.

Segundo a DERCC, uma análise preliminar apontou a existência de grande quantidade de credenciais de acesso, registros de autenticação, arquivos técnicos e informações relacionadas a sistemas de Tribunais de Justiça, órgãos policiais, instituições financeiras e outros órgãos públicos estratégicos.

Também foram identificados ambientes destinados ao armazenamento, organização e compartilhamento dessas credenciais, além de registros que indicam a obtenção e o uso de acessos privilegiados a sistemas de alta sensibilidade.

Todo o material apreendido será submetido à perícia especializada para identificar a extensão das invasões, os sistemas eventualmente comprometidos e outros possíveis envolvidos e beneficiários do esquema.

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