Pesquisa abre caminho para reverter cabelos brancos
No estudo, homens e mulheres com menos de 60 anos e até 30% de cabelos brancos receberam baixas doses de rapamicina durante seis meses
Uma pesquisa apresentada durante o World Congress of Hair Research, realizado em Seul, na Coreia do Sul, reacendeu as discussões sobre a possibilidade de reverter os cabelos brancos. O estudo identificou sinais de repigmentação dos fios em voluntários que utilizaram rapamicina, medicamento já empregado no tratamento de outras condições médicas.
Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores e especialistas ressaltam que ainda não há evidências suficientes para considerar a substância um tratamento eficaz. A pesquisa envolveu apenas 10 participantes e seus resultados ainda não foram publicados em uma revista científica com revisão por pares, etapa considerada essencial para validar descobertas desse tipo.
Para o dermatologista Dr. Elson Viana, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar (SBRCC), o trabalho representa um avanço na compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos no envelhecimento dos fios, mas ainda está em fase inicial.
“É um resultado interessante porque sugere que talvez seja possível interferir em mecanismos biológicos relacionados ao aparecimento dos fios brancos. Mas ainda estamos diante de uma pesquisa inicial. São necessários estudos maiores para confirmar a eficácia e a segurança dessa abordagem”, explica.
No estudo, homens e mulheres com menos de 60 anos e até 30% de cabelos brancos receberam baixas doses de rapamicina durante seis meses. Segundo os pesquisadores, parte dos participantes apresentou aumento da pigmentação dos fios nas primeiras semanas de acompanhamento.
A hipótese é que a rapamicina atue bloqueando a proteína mTORC1, associada ao envelhecimento celular. Com isso, os melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor aos cabelos, poderiam voltar a desempenhar sua função de forma mais eficiente.
Embora os resultados sejam considerados promissores, a rapamicina não foi desenvolvida para essa finalidade. Atualmente, o medicamento é utilizado principalmente para prevenir a rejeição de órgãos transplantados e tratar doenças específicas, por atuar diretamente no sistema imunológico.
“Hoje não existe uma indicação aprovada para o uso da rapamicina com o objetivo de recuperar a cor dos cabelos. Além disso, por ser um medicamento que interfere no sistema imunológico, seu uso exige acompanhamento médico e não deve ser feito por conta própria”, alerta Dr. Elson Viana.
Os especialistas também destacam que o número reduzido de participantes impede conclusões definitivas. Antes que qualquer tratamento seja recomendado, serão necessários estudos maiores para comprovar sua eficácia, segurança e possíveis efeitos adversos.
Embora ainda não exista uma forma comprovada de restaurar a pigmentação natural dos fios, a pesquisa abre uma nova linha de investigação na tricologia, área da medicina dedicada ao estudo dos cabelos e do couro cabeludo. Até que novas evidências sejam publicadas, a orientação é que a população não utilize a rapamicina sem prescrição médica.
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