Festival de Gramado abre espaço para jovens cineastas de Goiás
Selecionados entre mais de 200 inscritos, Mariana Melo e Victor Gabriel integram residência que reúne 60 jovens profissionais do audiovisual brasileiro
Gramado costuma funcionar como uma das vitrines mais disputadas do cinema brasileiro. Nesta edição, Goiás chega ao festival também pela formação profissional. Mariana Melo e Victor Gabriel da Silva Guimarães Rosa, ambos ligados ao curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), estão entre os 60 selecionados para a 1ª Residência para Jovens Cineastas, que acontece de 17 a 19 de agosto dentro do Conexões Gramado Film Market.
Os dois foram escolhidos entre mais de 200 inscritos de diferentes regiões do país. A seleção considerou portfólio, experiência profissional e proposta de desenvolvimento. Durante três dias, o grupo participa de 17 painéis, masterclasses, palestras e atividades de networking sobre diferentes etapas da cadeia audiovisual, da escrita de roteiro à circulação de obras.
A presença goiana reúne dois percursos construídos fora do eixo Rio-São Paulo. Mariana está no último ano da graduação na UEG e atua entre direção, roteiro, fotografia e pesquisa. Victor concluiu o curso em 2025, faz pós-graduação em Gestão Cultural e trabalha como roteirista, produtor e integrante da Gerência de Fomento ao Audiovisual e Salas de Cinema da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.
Para Mariana, Gramado já deixou de ser uma referência distante. Em 2025, ela esteve no festival com o curta experimental “Maríntimo”, que roteirizou, dirigiu e editou. Agora, retorna não apenas para exibir um trabalho, mas para ampliar redes e discutir caminhos profissionais.
“Participar de uma residência como essa é uma oportunidade muito importante para jovens cineastas, especialmente para quem está fora do eixo Rio-São Paulo. Para mim, enquanto mulher, jovem cineasta e estreante no mercado audiovisual, vinda de Goiás, ter acesso a um espaço como o Festival de Cinema de Gramado é muito significativo, porque possibilita novas experiências, conexões e oportunidades de formação e inserção no mercado”, destaca Mariana.
A cineasta também é pesquisadora do projeto Cinema, Arte e Educação: Narrativas de Aprendizagem, da UFG, e integra a RedArtH/CNPq. Em 2024, dirigiu “Marieta”, documentário sobre uma mestra griô de Pirenópolis. Neste ano, trabalha em “Depois Que Meus Dentes Caíram”, curta experimental que combina memórias, fabulações, imagens de arquivo e relatos reais sobre amadurecimento feminino atravessado pela misoginia. Também desenvolve “Retratos da Terra”, documentário sobre mulheres anciãs.
Goiás além da tela
Victor chega à residência por outro caminho. Além da formação em Cinema e Audiovisual, atua na área de gestão e fomento e acumula experiências em comunicação de festivais e eventos culturais em Goiás. Para ele, o encontro interessa pela possibilidade de conhecer outras formas de produção e ampliar sua inserção profissional.
“Participar de uma residência como essa é uma oportunidade única para a minha trajetória profissional, principalmente por possibilitar o encontro com outros jovens profissionais e com diferentes formas de produção e atuação no audiovisual brasileiro. Estar em um espaço como o Festival de Cinema de Gramado também significa ampliar redes, trocar experiências e conhecer possibilidades profissionais que podem contribuir diretamente para os próximos passos da minha carreira”, afirma Victor.
A fala toca em um dos pontos centrais da residência: a circulação de profissionais formados longe dos grandes centros tradicionais do setor. Mais do que reunir novos nomes, a proposta coloca no mesmo ambiente experiências construídas em diferentes territórios.
“A descentralização do mercado audiovisual passa também pela criação desses espaços de encontro, formação e circulação, que permitem que diferentes territórios sejam reconhecidos como lugares de produção, pensamento e desenvolvimento do audiovisual brasileiro”, completa Victor.
Essa discussão aparece na programação. Os encontros passam por distribuição, direção, produção, políticas audiovisuais, cineclubismo, mercados internacionais, pós-produção e sustentabilidade. Há ainda debates sobre regionalização, democratização do acesso, estratégias de circulação e desenvolvimento de carreira.
Para Mariana, a passagem anterior por Gramado já mostrou que um festival pode produzir efeitos depois da sessão. Segundo ela, a Mostra Universitária abriu novas possibilidades de distribuição para “Maríntimo”. A residência, agora, amplia essa rede de contatos e formação.
A 1ª Residência para Jovens Cineastas é promovida pelo Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul, pela Universidade Feevale e pela Gramadotur. Ao selecionar Mariana e Victor, a iniciativa coloca Goiás em uma conversa nacional que não se limita à produção de filmes, mas inclui formação, circulação e acesso aos espaços onde novos projetos e parcerias começam a tomar forma.
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