70 congressistas de GO e MG não valem os 26 de TO e MA
Ambas em BRs, a ponte do Estreito foi reconstruída com verbas federais e a de Itumbiara será reformada com recursos de Goiás e Minas, em consequência de terem ex-governadores concorrendo à Presidência da República, mas principalmente da falta de prestígio e trabalho de deputados e senadores
O Governo de Goiás anunciou que começará no próximo dia 15 a reforma da ponte sobre o Rio Paranaíba, na BR-153, entre Itumbiara (GO) e Araporã (MG). Foi preciso que duas unidades da federação se unissem para passar batom num equipamento público, pois a União se mostra alheia ao corredor que começa no Rio Grande do Sul e vai até Belém (PA), atravessando os Estados mais ricos do Brasil. No mínimo, é incompetência ou desvio de foco dos 20 parlamentares goianos, 17 deputados federais e 3 senadores que não conseguem trazer os investimentos realmente necessários.
Vem à mente, de imediato, outra ponte em rodovia federal, a Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga Tocantins ao Maranhão, no famoso Estreito, uma formação geológica que aprisiona o Rio Tocantins, como acontece com o Araguaia em Baliza, no Oeste de Goiás. Em 22 de dezembro de 2024, a JK caiu, matando 14 pessoas. Num esforço do governo federal, exatamente um ano depois a obra foi entregue. Motoristas e até pedestres passaram o Natal atravessando a ponte colapsada antes de as renas do Papai Noel voarem por ali no ano anterior.
Nem os que acreditam no bom velhinho e em renas voadoras creem que a ponte sobre o Tocantins seja mais importante que a do Paranaíba. Ambas são imprescindíveis, mas nenhuma outra fora do eixo Sul-Sudeste se compara à que divide Goiás e Minas, inclusive porque a de Itumbiara tem do outro lado o Sudeste. Existem diversas explicações. Uma delas é que os dois Estados estão sendo perseguidos pelo governo federal porque têm pré-candidatos à Presidência da República representando partidos de oposição.
A conta não fecha, a menos que se queira parar de passar pano para político
Desde o início de abril, Minas e Goiás estão sob comando dos antigos vices de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que enfrentam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em campanha para se reeleger. Porém, no último ¼ de século houve presidentes de diversos partidos (PSDB, PT, MDB, PSL, PL) e nenhum ofereceu recompensa pelo equilíbrio da Balança Comercial Brasileira obtido graças às commodities goianas.
A conta não fecha, a menos que se queira parar de passar pano para político na língua do p, os piores do País, pois impedem o progresso. O Tocantins tem 8 deputados federais e o Maranhão, 18. Goiás tem 17 e Minas, 53. São 3 senadores para cada. Por que os 76 parlamentares não conseguem o mesmo que os 32? Não pode ser apenas incompetência. A resposta está na falta de prioridade ou em priorizar o que não deveria. Integrantes do Legislativo, como os do Executivo, só pensam em reeleição. Em mais nada. Para obter o intento, trocam o apoio de lideranças municipais por emendas ao Orçamento da União, sobretudo as impositivas.
Então, não existe planejamento para os Estados se desenvolverem, muito menos em Goiás, só para os prefeitos se locupletarem e, em gratidão, bancarem as despesas dos grupos de seus representantes. Não existe lógica para a ponte em Itumbiara ter passado tanto tempo sem reforma e só receber… reforma. Precisa ser duplicada, pois o número de veículos se multiplica até por 120: em 1974, quando a ponte foi construída, eram 412 mil caminhões no Brasil; atualmente, são 2 milhões e 300 mil; os veículos em geral eram 1 milhão e 60 mil; agora, são 125 milhões.
Em todas, o desprezo é o mesmo, apesar dos impostos que geram
Até porque a industrialização de Goiás é incipiente, o volume de veículos dos demais Estados sempre foi muito maior do que os locais. Portanto, quem deveria investir na logística, principalmente na viária, era o governo federal. A fronteira com Minas Gerais é feita pelas três regiões goianas mais ricas, a Sudeste, a Sul e a Sudoeste. Em todas, o desprezo é o mesmo, apesar dos impostos que geram.
O próprio presidente Lula esteve em Rio Verde, no Sudoeste, reafirmando que duplicaria dali até Itumbiara. Seus auxiliares haviam feito e repetido essa promessa. Chegaram a publicar o nome das empreiteiras que fariam aquela obra e também ligando Jataí, outra potência do Sudoeste, à divisa com o Mato Grosso. Nada foi feito. O calado do Rio Paranaíba, que transporta mercadorias de Itumbiara a São Simão, também não é sequer avaliado para receber maquinário de o baixar.
É a hora adequada de discutir esses temas não apenas porque está na véspera de começar a obra meia-boca que vai ser feita na ponte em Itumbiara. Se Goiás tivesse políticos à altura do merecimento do Estado, essa ponte seria duplicada, assim como a rodovia até Rio Verde. Se algum maranhense ou tocantinense disser que seus políticos são mais eficazes, temos de baixar a cabeça e concordar. Como em Goiás o que mais tem é maranhense e tocantinense, temos de levantar a cabeça e protestar contra a ineficácia dos 20 representantes atuais e mandar outros para Brasília no ano que vem. (Especial para O HOJE)
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