Centro-Oeste vai bem em educação e proteção social, mas gestão ainda ameaça qualidade dos serviços públicos
Pesquisa nacional coloca Goiânia entre as dez melhores capitais do país e mostra que a região se destaca em áreas sociais, mas enfrenta desafios na gestão fiscal, transparência e capacidade de investimento para manter os avanços
O Centro-Oeste apresenta um dos melhores desempenhos do país na oferta de serviços públicos voltados à educação e à proteção social, mas ainda convive com um obstáculo que pode comprometer a continuidade desses resultados: a gestão. É o que aponta a segunda edição do Índice de Qualidade dos Serviços Públicos nas Capitais (IQSP), elaborado pela Agenda Pública, que avaliou 47 indicadores oficiais distribuídos em oito dimensões, como saúde, educação, infraestrutura, mobilidade, meio ambiente e desenvolvimento econômico.
Segundo o levantamento, o Centro-Oeste alcançou média de 0,544, ocupando a terceira colocação entre as cinco regiões brasileiras. O desempenho fica atrás apenas do Sul (0,651) e do Sudeste (0,601), mas acima do Nordeste (0,487) e do Norte (0,472). Apesar do resultado positivo, a pesquisa identifica um contraste importante: enquanto a região aparece entre as melhores em Educação e Proteção Social, registra a pior média nacional na dimensão Gestão, que reúne indicadores como capacidade de investimento, liquidez, transparência, quadro de servidores efetivos e governo digital.
No recorte regional, Cuiabá lidera o ranking do Centro-Oeste e ocupa a quinta colocação nacional, com nota 0,571. Goiânia aparece em seguida, na décima posição entre as capitais brasileiras, com nota 0,548, enquanto Campo Grande ocupa o 13º lugar, com 0,514. Para os pesquisadores, a proximidade entre as notas mostra que a principal diferença entre as capitais está menos no resultado final e mais na composição dos indicadores.
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Ao O HOJE, o diretor-executivo da Agenda Pública, Sergio Andrade, afirmou que o objetivo da pesquisa é demonstrar que a qualidade dos serviços públicos tem impacto direto na vida das pessoas.
“Bons serviços públicos abrem portas porque devolvem tempo às pessoas, reduzem custos invisíveis que muitas vezes são empregados com serviços privados de educação, saúde e mobilidade e ampliam as oportunidades para que a pessoa possa se realizar”, afirmou.
De acordo com Andrade, o levantamento identificou que as capitais brasileiras seguem caminhos diferentes para alcançar bons resultados. Algumas conseguem combinar educação de qualidade, desenvolvimento econômico e capacidade institucional. Outras se destacam pela presença dos serviços públicos e pelas políticas voltadas ao bem-estar da população.
No caso do Centro-Oeste, o pesquisador avalia que o desafio agora é garantir que os bons indicadores sociais sejam sustentados por uma estrutura administrativa mais sólida.
O próprio estudo alerta que liquidez, capacidade de investimento e transparência influenciam diretamente a manutenção de escolas, unidades de saúde, Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e demais serviços oferecidos à população. Sem esse suporte administrativo, os avanços em educação e proteção social podem se tornar vulneráveis diante de mudanças econômicas ou de governo.
Goiânia entre as dez melhores
Entre as capitais do Centro-Oeste, Goiânia chama atenção por reunir bom desempenho em diferentes áreas. A capital aparece entre as dez melhores do país no índice geral e, segundo Sergio Andrade, aproxima-se da chamada “rota de ampliação de capacidades”, que reúne cidades com resultados consistentes em educação, desenvolvimento econômico e proteção social.
“Goiânia está acima da média nacional. Tem uma das melhores educações entre as capitais avaliadas, está entre as sete melhores em desenvolvimento econômico e também apresenta bom desempenho em proteção social. O que chamou atenção foi essa consistência em várias frentes ao mesmo tempo”, destacou.
Apesar dos bons indicadores, o estudo aponta desafios importantes. O principal deles está na área ambiental, especialmente na recuperação de resíduos recicláveis. Também aparecem como prioridades a ampliação do governo digital e a melhoria de indicadores da saúde, como a cobertura vacinal e a redução da mortalidade infantil.
Segundo Andrade, essas áreas estão diretamente conectadas. “Os serviços funcionam como uma infraestrutura integrada. Melhorar uma área acaba produzindo impactos positivos em outras, como saúde, educação, assistência social e oportunidades econômicas”, explicou.
Para a Agenda Pública, o principal recado do levantamento é que desenvolvimento econômico, por si só, não garante melhores serviços públicos. A pesquisa conclui que o desempenho depende da capacidade dos governos de transformar recursos, planejamento e gestão em serviços efetivamente percebidos pela população. No caso do Centro-Oeste, isso significa preservar os avanços já conquistados na área social enquanto fortalece a gestão pública para garantir que esses resultados sejam sustentáveis nos próximos anos.
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