Operação da Polícia Civil de Goiás desarticula esquema de lavagem de dinheiro de facção
As investigações apontam que o grupo movimentou cerca de R$ 320 milhões por meio de empresas de fachada e de uma fintech
A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Cifra Oculta – Destroyer Fase 13. O objetivo é desarticular o braço financeiro de uma facção criminosa com atuação em Goiás.
Durante a operação, foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos investigados, que podem chegar a R$ 160 milhões.
Investigação começou após operação realizada em 2025
Segundo a Polícia Civil, a ação é um desdobramento da Operação Reincidentes, realizada em novembro do ano passado. Na ocasião, dez integrantes da organização criminosa foram presos por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas e de armas na região sul de Goiânia.
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As investigações também apontaram que o foguetório registrado em diversos municípios goianos, no início de novembro de 2025, teria sido organizado por integrantes da facção em homenagem a dois criminosos mortos durante uma operação policial no Rio de Janeiro.
Grupo teria movimentado R$ 320 milhões
Com o avanço das investigações, os policiais identificaram um suposto integrante da alta cúpula da organização criminosa. Conforme a Denarc, ele seria responsável por coordenar a distribuição de drogas para diferentes células da facção em Goiás.
Além disso, três supostos operadores financeiros foram identificados. Eles seriam responsáveis por receber, movimentar e ocultar recursos obtidos com atividades criminosas.
A análise financeira revelou a existência de uma estrutura de lavagem de dinheiro formada por, pelo menos, sete empresas de fachada. Segundo a Polícia Civil, essas empresas eram utilizadas para ocultar a origem dos recursos ilícitos.
Em pouco mais de um ano, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 320 milhões, conforme as investigações.
Fintech também é alvo da investigação
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontam ainda a participação de uma fintech ligada formalmente ao suposto líder da organização criminosa.
Segundo os investigadores, a empresa teria sido utilizada para receber e movimentar recursos provenientes das atividades ilícitas, funcionando como parte do esquema de lavagem de capitais.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam veículos, porções de drogas, computadores, celulares e documentos, que passarão por análise.
Suspeito foi preso após romper tornozeleira eletrônica
O investigado apontado como integrante do alto escalão da facção foi preso na última sexta-feira (3), quando deixava uma casa noturna no Setor Marista, em Goiânia.
Segundo a Polícia Civil, ele possui condenações que, somadas, ultrapassam 106 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo a banco e homicídio.
Até o início de junho deste ano, ele cumpria pena no regime semiaberto com monitoramento eletrônico. No entanto, após ser alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, em apoio à Polícia Civil de Goiás, em Angra dos Reis, rompeu a tornozeleira eletrônica e passou à condição de foragido.
Investigações continuam
Outro investigado está preso em Portugal desde fevereiro deste ano, após ser flagrado transportando entorpecentes no Aeroporto de Lisboa. Um terceiro suspeito permanece foragido no mesmo país.
A operação contou com o apoio de diversas unidades da Polícia Civil de Goiás, da Delegacia de Polícia de Itapema (SC) e do Laboratório de Evidências Digitais da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC).
Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar outros envolvidos, localizar patrimônios ocultados pela organização criminosa e recuperar os recursos obtidos com as atividades ilícitas.
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