Polícia Civil investiga esquema de R$ 441 milhões em notas fiscais frias no Distrito Federal
PCDF e Receita do DF apuram atuação de empresas de fachada utilizadas para fraudes tributárias e lavagem de dinheiro; Justiça determinou bloqueio de R$ 126,4 milhões em bens
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e a Receita do Distrito Federal deflagraram, nesta quinta-feira (9), a Operação Rota dos Metais para desarticular um esquema de fraudes tributárias baseado na emissão de notas fiscais por empresas de fachada. A ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. As investigações apontam que dezenas de empresas eram utilizadas para abastecer uma rede de comercialização irregular de sucatas metálicas em diferentes estados.
Segundo a apuração, a organização criminosa operava por meio de empresas conhecidas como “noteiras”, registradas no Distrito Federal em nome de laranjas, sem funcionamento real, empregados ou movimentação bancária. Após emitirem milhões de reais em notas fiscais, essas empresas eram suspensas pela Receita do DF e imediatamente substituídas por novos CNPJs preparados para manter o esquema. Em uma das rotas identificadas, 26 empresas emitiram aproximadamente R$ 389,5 milhões em documentos fiscais, enquanto outra estrutura movimentou cerca de R$ 51,9 milhões por meio de 22 empresas.
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As investigações revelaram que os documentos fiscais eram direcionados inicialmente para empresas de fachada localizadas no Tocantins, que reemitiram as notas para empresas beneficiárias em outros estados. Na primeira rota, cerca de 94% das operações envolviam cobre, tendo como principal destinatária uma empresa paulista do setor de fabricação de fios e cabos elétricos. Já na segunda, predominavam notas relacionadas à comercialização de sucatas de cobre, alumínio e ferro, posteriormente inseridas na cadeia formal de comércio de metais.
A Justiça determinou o sequestro de R$ 126,4 milhões em bens, direitos e valores dos investigados para garantir eventual ressarcimento dos prejuízos e interromper a movimentação financeira do grupo. A operação mobilizou 37 policiais civis do Distrito Federal, com apoio das Polícias Civis de São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
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