quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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Crises de Flávio levantam dúvidas sobre impacto na campanha de Wilder 

Desgastes enfrentados pelo filho de Bolsonaro alimentam debate sobre possíveis reflexos na disputa pelo governo estadual; especialistas divergem sobre impacto no projeto do senador goiano

Thiago Borgespor em
Crises de Flávio levantam dúvidas sobre impacto na campanha de Wilder 
Desgastes de Flávio despertam questionamentos sobre efeitos para aliados, entre eles, o senador Wilder Morais | Foto: Divulgação

O acúmulo de desgastes enfrentados pelo senador e pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário nacional tem levantado dúvidas sobre os reflexos para seus aliados nos Estados. O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atravessa uma sequência de crises que incluem o caso Master, após a divulgação de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o crescimento das divergências com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dentro do PL e o enfraquecimento das negociações para receber o apoio da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

O cenário posto desperta questionamentos sobre os efeitos para os aliados de Flávio, entre eles, o projeto eleitoral do senador Wilder Morais (PL), nome do bolsonarismo para disputar o Governo de Goiás em outubro. Embora a influência do contexto nacional sobre a corrida estadual seja alvo de interpretações distintas, cientistas políticos ouvidos pelo O HOJE avaliam que o momento vivido por Flávio Bolsonaro pode, em maior ou menor medida, interferir na estratégia do PL no Estado.

Para o professor da PUC-GO e cientista político Pedro Pietrafesa, a forte associação de Wilder à família Bolsonaro faz com que os desgastes enfrentados pelo senador fluminense tenham potencial para repercutir sobre a pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas. Na avaliação do professor, lideranças estaduais que construíram sua imagem política vinculadas ao bolsonarismo tendem a sentir os efeitos quando o grupo enfrenta crises no cenário nacional. 

“O Wilder e outras lideranças locais do bolsonarismo se associam muito às figuras da família Bolsonaro. Quando há problemas que a família Bolsonaro tem que responder, isso impacta nesses candidatos que não têm uma imagem, em que a imagem que propagaram ao longo das suas carreiras políticas foi muito mais associativa do que independente”, afirma.

Reavaliação de estratégia

Segundo Pietrafesa, esse cenário também exige uma reavaliação da estratégia eleitoral do PL em Goiás. Para o cientista, uma campanha excessivamente ancorada na imagem da família Bolsonaro pode dificultar o desempenho não apenas de Wilder, mas também de outros candidatos ligados ao partido.

“Esses candidatos majoritários a nível estadual podem sofrer nas urnas. Então esse é um sintoma que o Wilder e o PL precisam refletir”, diz. “Para o Wilder, há uma dependência muito grande de quão a imagem dos Bolsonaro está boa ou ruim a nível nacional”, frisa.

Sem efeitos relevantes

Já o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e cientista político Guilherme Carvalho avalia que os episódios que envolvem Flávio não tendem a produzir efeitos relevantes sobre a disputa pelo governo goiano. Para o docente da UFG, o eleitor costuma separar as escolhas para os cargos nacionais das decisões tomadas nas eleições estaduais.

“O voto bolsonarista vai para o Flávio e para o candidato do Flávio, independentemente de quem seja o candidato. O eleitor bolsonarista não está pesando nessas questões envolvendo a família Bolsonaro e o caso Master. Ele pesa em quem tem maior chance de derrotar o projeto nacional do PT”, afirma.

Baixa presença no debate público

Na avaliação de Carvalho, o principal desafio enfrentado por Wilder está na própria condução da pré-campanha. Segundo o cientista, o senador ainda mantém baixa exposição pública e precisa ampliar sua presença no debate político para consolidar sua candidatura perante o eleitorado goiano.

“O que mais atrapalha o Wilder neste momento não são as desconfianças em relação ao Flávio. O que mais atrapalha o Wilder é a inércia da campanha dele, que ainda não está mostrando a que veio. Ainda não está colocando o carro na rua, está muito tímido. O Wilder continua se negando a falar com a imprensa. Continua se negando a se expor. Não sei o quanto isso é, de fato, vantajoso para ele”, pondera.

Para Carvalho, a recente manifestação pública de Wilder em defesa de Ana Paula Rezende, pré-candidata a vice-governadora pelo PL e filha do casal Iris Rezende e Dona Íris de Araújo, foi um dos primeiros momentos de exposição da pré-candidatura. O senador saiu em defesa da companheira de chapa após o PDT ingressar com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) contra o uso da imagem do ex-governador Iris Rezende no material de pré-campanha dos liberais.

“A maior preocupação do Wilder precisa ser colocar o carro dele na rua e se tornar de fato candidato na cabeça das pessoas. Muita gente não sabe quem é o Wilder ainda, apesar de ser senador da República já há dois mandatos. Ele precisa ser expectativa de poder para os pouquíssimos prefeitos aliados que estão ao redor dele”, destaca Carvalho.

Distante da lógica nacional

O professor da UFG destaca a pré-campanha como principal dificuldade de Wilder por entender que a disputa estadual foge da lógica nacional. “Essa tentativa de nacionalização do debate estadual não traz impacto para a dinâmica local. O voto local, em Goiás ao menos, sempre foi separado da dinâmica nacional. É uma falsa atribuição tentar correlacionar as duas coisas porque aquilo que leva o eleitor a decidir no nacional não é aquilo que leva a decidir no local”, pontua.

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