Filho é indiciado por matar o pai para roubar caminhonete; seis pessoas respondem por crimes ligados ao caso
Segundo a Polícia Civil, o filho da vítima pediu R$ 3 mil ao pai na véspera, alugou a arma usada no latrocínio e utilizou a caminhonete para ocultar o corpo antes de tentar repassar o veículo
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) concluiu o inquérito que investigou a morte do servidor administrativo João Lourenço de Oliveira, de 64 anos, e indiciou seis pessoas pelos crimes relacionados ao caso. O principal investigado é o filho da vítima, Flávio Lourenço, de 43 anos, apontado como autor do latrocínio (roubo seguido de morte) e da ocultação de cadáver. Se condenado, ele poderá cumprir pena de até 33 anos de prisão.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH). Segundo o delegado João Paulo Ferreira Mendes, as provas reunidas demonstram que o crime foi planejado e teve como motivação o interesse na caminhonete da vítima.
“A Polícia Civil concluiu o inquérito indiciando o filho da vítima, Flávio Lourenço, pelos crimes de latrocínio consumado e ocultação de cadáver”, afirmou o delegado.
Além de Flávio, João Lucas também foi indiciado por latrocínio. Conforme a investigação, ele alugou a arma utilizada no crime e auxiliou no esquema para ocultar e revender a Toyota Hilux da vítima. Outras três pessoas responderão por receptação, por integrarem a cadeia de ocultação e comercialização do veículo, enquanto um sexto investigado foi indiciado por favorecimento pessoal e posse ilegal de arma de fogo, após esconder João Lucas em uma chácara no município de Bela Vista de Goiás.
Leia também:
Crime foi planejado
De acordo com a Polícia Civil, o planejamento começou ainda na sexta-feira anterior ao crime. Flávio enviou mensagens ao pai pedindo um empréstimo de R$ 3 mil e informou que precisava conversar com ele sobre um assunto “muito sério”. A reunião ficou marcada para a manhã de sábado, quando o crime foi cometido.
Segundo João Paulo Ferreira Mendes, imagens de câmeras de segurança mostram Flávio chegando sozinho à casa do pai por volta das 8h. O carro utilizado por ele ficou estacionado a cerca de 500 metros do imóvel, estratégia que, segundo a investigação, tinha o objetivo de dificultar sua identificação.
O delegado explicou que Flávio carregava uma sacola com a arma de fogo, envolta em tecidos, que havia sido alugada de João Lucas no dia anterior.
Durante aproximadamente quatro horas, ninguém entrou ou saiu da residência. Somente por volta do meio-dia, as câmeras registraram Flávio deixando o local dirigindo a Toyota Hilux do pai. Conforme a investigação, o corpo de João Lourenço já estava na carroceria do veículo.
A Polícia Civil apurou que o investigado seguiu até uma área de mata próxima ao Residencial Junqueira, atrás do Condomínio do Lago, em Goiânia, onde ocultou o cadáver. Em seguida, entregou a caminhonete a João Lucas para dar continuidade ao esquema de ocultação e revenda.
“A atuação direta no latrocínio se deu unicamente pelo Flávio, mas ele contou com esse apoio, tanto no fornecimento da arma quanto na ocultação posterior e revenda do veículo por parte de João Lucas”, afirmou o delegado.
Histórico e motivação
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou que Flávio enfrentava dificuldades financeiras e frequentemente procurava o pai em busca de ajuda.
Segundo João Paulo Ferreira Mendes, também foram reunidos elementos que apontam que o investigado já havia tentado subtrair bens do próprio pai em outras ocasiões.
Um dos episódios ocorreu em 2005, quando Flávio invadiu a residência de João Lourenço e foi surpreendido escondido embaixo de uma cama. A versão foi confirmada pela vítima, na época, e por uma testemunha ouvida durante o inquérito.
Para a Polícia Civil, esses antecedentes reforçam a linha de investigação de que o crime foi motivado por interesses patrimoniais e executado de forma premeditada.
Relembre o caso
João Lourenço de Oliveira desapareceu na manhã de 13 de junho, após sair de casa, em Goiânia, para encontrar o filho. A ausência de contato levou familiares a iniciarem buscas e divulgarem o desaparecimento nas redes sociais.
Dois dias depois, durante o avanço das investigações, o corpo do servidor foi localizado em uma área de mata. A Toyota Hilux da vítima também foi recuperada pela Polícia Civil.
As diligências resultaram na prisão dos investigados e, após a conclusão do inquérito, a PCGO apontou que o latrocínio foi praticado por Flávio Lourenço, com o auxílio de João Lucas e a participação de outras pessoas na ocultação, receptação do veículo e favorecimento pessoal. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.