terça-feira, 4 de agosto de 2026
Trânsito

Rodovias goianas registram 35% menos mortes, mas violência no trânsito continua

Balanço da PRF aponta 13 mortes em julho e reforça alerta para excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 4 de agosto de 2026 às 08:52
Rodovias goianas registram 35% menos mortes, mas violência no trânsito continua
cidentes nas rodovias de Goiás - Divulgação/PRF

A morte de um motociclista de 21 anos em Goiânia e de um casal em um grave acidente na GO-206, em Cachoeira Alta, no último fim de semana, voltou a chamar a atenção para a violência no trânsito em Goiás. Em Goiânia, Higor Santos Carvalho morreu após a motocicleta que conduzia colidir com um carro e pegar fogo na Avenida Genésio de Lima Brito. Já no Sul do Estado, o advogado Elmar Ferraz de Oliveira e a dentista Zulma Maguieda Figueredo Barbosa Ferraz morreram após uma colisão entre uma caminhonete S10 e uma Toyota Hilux SW4.

As ocorrências aconteceram justamente no encerramento do período de férias escolares, época em que o fluxo de veículos aumenta nas rodovias estaduais e federais. Apesar de os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontarem redução no número de mortes durante julho, especialistas alertam que os acidentes continuam sendo provocados, principalmente, por comportamentos de risco adotados pelos próprios motoristas.

Balanço aponta redução de mortes nas férias

Durante todo o mês de julho, a PRF intensificou as operações de fiscalização nas rodovias federais que cortam Goiás. No período foram registrados 214 acidentes, que deixaram 226 pessoas feridas e provocaram 13 mortes.

Na comparação com o mesmo período de 2025, houve redução de 35% no número de óbitos. No ano passado, foram contabilizadas 20 mortes, além de 232 pessoas feridas em 213 acidentes.

Embora o resultado seja considerado positivo, a corporação avalia que os índices ainda preocupam. Somente no primeiro fim de semana das férias escolares foram registrados 25 acidentes, com 26 pessoas feridas e três mortes nas rodovias federais do Estado.

Entre as rodovias com maior número de vítimas fatais, a BR-153 lidera o ranking, concentrando oito das 13 mortes registradas em julho. Em seguida aparecem a BR-060 e a BR-452, com dois óbitos cada, além da BR-070, que contabilizou uma morte.

Velocidade ainda lidera infrações nas estradas

Mesmo com o reforço da fiscalização, o excesso de velocidade continua sendo a principal infração registrada pela Polícia Rodoviária Federal. Durante o período de férias foram lavradas mais de 27 mil autuações, sendo 17.922 apenas por velocidade acima do permitido.

Além disso, os policiais flagraram 1.015 ultrapassagens em locais proibidos, 120 motoristas dirigindo sob efeito de álcool e 556 pessoas sem utilizar o cinto de segurança.

Para o especialista em mobilidade Marcos Rothen, os números refletem um comportamento que ainda se repete nas rodovias brasileiras. Fatores como, velocidade excessiva, consumo de bebidas alcoólicas e uso do celular ao volante seguem entre os principais fatores responsáveis pelos acidentes graves.

“O excesso de velocidade, o uso de álcool e o celular normalmente são as principais causas. Esses fatores levam a ultrapassagens perigosas, colisões traseiras e saídas de pista. O uso do celular ao volante pode ser comparado aos efeitos da embriaguez, porque reduz significativamente a atenção do motorista”, explica.

Álcool segue como ameaça 

Outro fator que permanece preocupando as autoridades é a mistura entre álcool e direção. Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que, somente em 2025, foram registrados 222 acidentes relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas nas rodovias federais de Goiás. As ocorrências deixaram 170 pessoas feridas e provocaram 13 mortes, números superiores aos registrados em 2024.

A situação continua em 2026. Apenas no primeiro semestre, a PRF contabilizou 96 sinistros envolvendo motoristas alcoolizados, com 65 feridos e seis mortes. No mesmo período, cerca de 800 motoristas foram autuados por embriaguez ao volante e quase 70 acabaram presos por descumprirem a Lei Seca.

Criada em 2008, a legislação prevê multa de R$ 2.934,70, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses e retenção do veículo. Dependendo da quantidade de álcool constatada, o motorista também pode responder criminalmente.

BR-153 e BR-060 concentram mais da metade dos acidentes

Além do comportamento dos condutores, o volume de veículos e as características das rodovias ajudam a explicar a concentração de acidentes em alguns trechos. Levantamento do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), mostra que as rodovias federais BR-153 e BR-060 concentram 54,1% dos sinistros de trânsito registrados no Estado.

O estudo, elaborado por meio do Sistema Integrado de Ocorrências de Trânsito de Goiás (Sigo), também identificou fatores que aumentam o risco de acidentes nesses corredores. Entre eles estão o intenso fluxo de caminhões e veículos de passeio, trechos urbanizados, problemas de conservação da pista em alguns pontos e a imprudência dos motoristas, principalmente por excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas e distrações ao volante.

De acordo com Marcos Rothen, embora a infraestrutura influencie na segurança viária, a maior parte dos acidentes ainda está relacionada ao comportamento humano. “O fluxo intenso de veículos pesados, aliado à falta de manutenção em alguns trechos, aumenta o risco. No entanto, a imprudência continua sendo o principal fator. O motorista precisa respeitar os limites de velocidade e manter a atenção durante todo o trajeto”, afirma.

Para especialistas, os números mostram que a fiscalização intensificada durante as férias produz resultados, mas não é suficiente para reduzir de forma definitiva a violência nas rodovias. Profissionais defendem ações permanentes de educação para o trânsito, ampliação da fiscalização eletrônica e investimentos em infraestrutura, especialmente nos trechos com maior concentração de acidentes.

O levantamento do SIGO também revelou um dado que chamou a atenção dos pesquisadores: a subnotificação das mortes no trânsito. Enquanto os registros oficiais apontavam 1.606 óbitos em Goiás em 2024, o cruzamento de informações com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) identificou 2.074 vítimas, uma diferença de 468 casos.

Com o retorno das aulas e a redução do fluxo típico das férias, a expectativa é de diminuição na movimentação das rodovias. Ainda assim, a PRF reforça que o fim da temporada não elimina os riscos. A orientação aos motoristas é manter a revisão do veículo em dia, respeitar os limites de velocidade, evitar ultrapassagens em locais proibidos, utilizar o cinto de segurança e nunca dirigir após consumir bebida alcoólica.

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