sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Alta do custo da moradia amplia dificuldade de acesso à casa própria em Goiânia

Levantamento mostra que a renda necessária para financiar um imóvel varia de R$ 17 mil a R$ 273 mil, enquanto o salário médio formal na Capital é de R$ 4.238

Anna Salgadopor Anna Salgado em 17 de julho de 2026 às 07:24
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Legenda: Levantamento do Financiômetro revela que o custo para financiar imóveis em Goiânia supera, em muitos bairros, a capacidade de renda da maior parte da população, ampliando os desafios para a aquisição da casa própria | Foto: Wikimidia

O custo da moradia em Goiânia tem ampliado as dificuldades de acesso à casa própria. Levantamento do Financiômetro mostra que a renda necessária para financiar um imóvel varia entre R$ 17.257 e R$ 273.172, conforme o bairro. O cenário ocorre em uma capital onde o salário médio formal é de R$ 4.238 e as despesas básicas comprometem até 60% da renda das famílias, segundo especialistas.

Os dados do levantamento evidenciam diferenças significativas entre os bairros da Capital. No Residencial Aldeia do Vale, a renda mensal estimada para financiar um imóvel chega a R$ 273.172, com prestações iniciais de R$ 78.877. Na Vila Rosa, a renda mínima exigida é de R$ 17.257, com parcelas em torno de R$ 4.960.

Nos bairros mais valorizados, os valores também são elevados. No Setor Marista, o metro quadrado atingiu R$ 11.318, exigindo renda aproximada de R$ 60.189 para viabilizar um financiamento. No Setor Bueno e no Jardim Goiás, a renda necessária varia entre R$ 39 mil e R$ 43 mil.

A valorização imobiliária também repercute no custo de vida. Para morar com conforto nessas regiões, uma pessoa solteira precisaria de renda líquida entre R$ 5.500 e R$ 9.000, enquanto a média salarial formal em Goiânia é de R$ 4.238.

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Juros elevados ampliam dificuldade 

Para a economista Greice Guerra, a diferença entre a renda média da população e o valor dos imóveis está relacionada ao comportamento da economia e ao nível das taxas de juros. Em junho de 2026, a taxa Selic estava em 14,25%, fator que aumenta o custo do crédito imobiliário.

“Existe uma disparidade real entre a renda recebida e o imóvel a ser financiado. O perfil do brasileiro, e o goiano não é diferente, é o de financiar o imóvel durante toda a vida, muitas vezes quitando-o apenas no falecimento.”

Segundo a economista, as instituições financeiras adotam critérios rigorosos para a concessão de crédito devido ao risco de inadimplência, exigindo rendas mais elevadas dos compradores.

Greice Guerra afirma ainda que o comprometimento de mais de 50% da renda com despesas fixas torna as famílias mais vulneráveis às oscilações econômicas e à inflação. Como alternativas, defende educação financeira, planejamento de curto e médio prazo e estratégias para reduzir o saldo devedor do financiamento.

“O ideal seria comprar o imóvel quitado, no ‘cash’, mas, como isso é difícil, as famílias precisam buscar várias fontes de renda e realizar economias rígidas para amortizar essas parcelas.”

Valorização imobiliária pressiona famílias

Na avaliação do arquiteto e urbanista Fred Le Blue, a valorização dos imóveis também está associada à especulação imobiliária e ao modelo de desenvolvimento urbano adotado na Capital. De acordo com o urbanista, o crescimento impulsionado pelo agronegócio elevou os preços e alterou a dinâmica da cidade.

Le Blue critica o processo de “verticalização nababesca”, que, segundo a avaliação apresentada, foi favorecido por planos diretores permissivos. “Essas empresas socializam os problemas urbanos, como saneamento e engarrafamentos, mas privatizam os lucros causados pelo adensamento.”

Na análise do arquiteto, esse processo contribui para a gentrificação e desloca moradores de menor renda para bairros periféricos, aumentando o tempo de deslocamento diário até as áreas onde trabalham. O urbanista define esse fenômeno como “mais-valia locomotiva”, caracterizado por jornadas de até quatro horas no transporte público.

Fred Le Blue afirma ainda que, enquanto empreendimentos de alto padrão se multiplicam no Setor Marista, o déficit habitacional permanece elevado. “Goiânia se tornou um canteiro de obras a céu aberto, mas a classe média e os pobres estão sendo expulsos das áreas centrais pelo aumento abusivo dos preços e pela destruição da memória espacial das casas individuais.”

Pressão deve continuar

As perspectivas para os próximos meses indicam continuidade da pressão sobre o orçamento das famílias. O reajuste da energia elétrica e dos aluguéis deve manter os custos elevados, especialmente nos bairros mais valorizados.

A presidente do Corecon-GO, Adriana Pereira de Sousa, afirma que o acesso à moradia depende de avanços na mobilidade urbana e da ampliação da oferta de imóveis de médio padrão.

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