sábado, 26 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

Setor farmacêutico cresce 14% com ajuda dos genéricos e remédios para obesidade

Setor movimentou R$ 140,7 bilhões no primeiro semestre de 2026

Otavio Augustopor em
Setor farmacêutico cresce 14% com ajuda dos genéricos e remédios para obesidade
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O varejo farmacêutico brasileiro atravessa uma transformação que vai além do crescimento das vendas. O setor continua expandindo seu faturamento em ritmo acelerado, mas agora impulsionado principalmente pelo maior valor agregado dos medicamentos, especialmente os destinados ao tratamento da obesidade, diabetes e doenças crônicas, enquanto os genéricos ampliam sua participação como principal alternativa de acesso à população.

Levantamento da Close-Up International mostra que o canal farmácia movimentou R$ 140,7 bilhões em preço cheio apenas no primeiro semestre de 2026, alta de 13,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o mercado alcançou R$ 278 bilhões, consolidando um dos maiores segmentos do varejo brasileiro.

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O dado que mais chama atenção, entretanto, está na diferença entre faturamento e volume comercializado. Enquanto a receita cresceu 14,03% no acumulado anual, a quantidade de medicamentos vendidos aumentou apenas 3,07%. Em junho, a discrepância ficou ainda mais evidente: o faturamento avançou 9,86%, mas o número de unidades comercializadas recuou 0,5%, indicando que o crescimento do setor está sendo sustentado por medicamentos de maior valor e terapias inovadoras.

Medicamentos de maior valor mudam a dinâmica do mercado

Especialistas avaliam que o comportamento representa uma mudança estrutural no varejo farmacêutico. O consumo não cresce na mesma velocidade da receita porque medicamentos mais complexos passaram a ocupar espaço cada vez maior nas vendas.

Os produtos sujeitos à prescrição médica (MPX) lideram essa transformação. A categoria registrou crescimento de 17,49% em faturamento nos últimos 12 meses, desempenho muito superior ao observado em medicamentos isentos de prescrição e produtos tradicionais.

Outro movimento chama atenção: terapias para diabetes e obesidade passaram a ocupar posições inéditas entre os medicamentos de maior faturamento das farmácias brasileiras.

O Mounjaro registrou crescimento de impressionantes 1.390,87% em receita no período analisado. O Wegovy também aparece entre os líderes em faturamento, enquanto o Forxiga apresentou expansão de 67,39%, refletindo a rápida incorporação dos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 ao mercado nacional.

Apesar desse avanço financeiro, os medicamentos mais vendidos em quantidade continuam sendo produtos de uso contínuo e amplo consumo, como Glifage XR, Neosoro e Losartana, mostrando que volume e faturamento passaram a seguir caminhos diferentes.

Genéricos ampliam participação e fortalecem acesso

Se os medicamentos inovadores elevam o faturamento, os genéricos continuam sendo o principal motor do crescimento em volume. Segundo a Close-Up International, os genéricos cresceram 13,13% em unidades vendidas e aproximadamente 21% em faturamento entre os medicamentos prescritos. Nos medicamentos isentos de prescrição, enquanto os produtos de marca avançaram apenas 2,02%, os genéricos registraram crescimento de 12,11% em volume.

Dados da Abradilan reforçam essa tendência. Atualmente, os genéricos representam 41,1% do faturamento e 45,7% das unidades comercializadas pelo canal distribuidor ligado à entidade, consolidando-se como um dos principais pilares do abastecimento farmacêutico brasileiro.

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O avanço demonstra que, diante do aumento dos preços médios dos medicamentos, consumidores passaram a recorrer cada vez mais aos genéricos para manter tratamentos contínuos sem comprometer o orçamento familiar.

Embora o Sudeste permaneça como o maior mercado consumidor do país, Norte e Nordeste registram os maiores índices de crescimento.

Crescimento farmacêutico no Brasil

O varejo farmacêutico amplia sua atuação além da venda de medicamentos. Grandes redes investem em serviços clínicos, vacinação, exames rápidos, programas de acompanhamento de pacientes e canais digitais, transformando as farmácias em centros de saúde e conveniência. O comércio eletrônico também mantém forte expansão, reforçando a integração entre lojas físicas e plataformas digitais.

Com um mercado que já movimenta R$ 278 bilhões ao ano, o setor farmacêutico brasileiro vive uma nova etapa de crescimento. A combinação entre medicamentos inovadores, fortalecimento dos genéricos, protagonismo da indústria nacional e ampliação dos serviços prestados pelas farmácias indica que a expansão do segmento continuará sendo impulsionada não apenas pelo aumento do consumo, mas principalmente pela geração de valor e pela evolução do cuidado em saúde.

 

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