terça-feira, 21 de julho de 2026
NEGÓCIOS

Airbnb cresce mais de 20% no Brasil e acelera busca por studios em Goiânia

Alta nas reservas impulsiona investidores a apostar em imóveis compactos para aluguel de temporada

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 20 de julho de 2026 às 23:01
Airbnb cresce mais de 20% no Brasil e acelera busca por studios em Goiânia
Divulgação/ Airbnb

O mercado de aluguel por temporada segue transformando o setor imobiliário brasileiro. Impulsionado pela expansão do turismo, pelo aumento das viagens corporativas e pela busca por hospedagens mais flexíveis, o Brasil consolidou sua posição entre os países que mais crescem na Airbnb. Dados divulgados pela plataforma mostram que o número de noites reservadas no país aumentou mais de 20% pelo terceiro trimestre consecutivo no primeiro trimestre de 2026, colocando o Brasil entre os três mercados de maior expansão global, ao lado de Japão e Índia.

O avanço também aparece na entrada de novos consumidores. Segundo a empresa, o número de brasileiros que fizeram a primeira reserva pela plataforma cresceu 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho acompanha a recuperação do turismo doméstico e internacional, além da consolidação da locação de curta temporada como alternativa para diferentes perfis de viajantes.

Mais do que movimentar o turismo, esse crescimento tem provocado mudanças no mercado imobiliário. Em várias cidades brasileiras, investidores passaram a direcionar recursos para apartamentos compactos, principalmente studios, visando obter renda recorrente por meio das plataformas digitais de hospedagem.

Airbnb
Divulgação/ Airbnb

Studios ganham espaço entre investidores

A preferência pelos studios acompanha uma mudança no comportamento do mercado. Com menor custo de aquisição, despesas reduzidas de manutenção e maior facilidade de ocupação, esses imóveis passaram a ser vistos como uma alternativa de rentabilidade superior aos apartamentos tradicionais.

O movimento encontra respaldo nos indicadores do mercado residencial. De acordo com o Índice FipeZAP, o preço médio anunciado dos aluguéis residenciais atingiu R$ 53,35 por metro quadrado em maio de 2026, acumulando alta de 8,68% em 12 meses. Entre todas as tipologias avaliadas, os apartamentos de um dormitório lideraram o ranking de valorização, com aluguel médio de R$ 71,24 por metro quadrado, desempenho superior ao registrado por imóveis maiores.

Especialistas apontam que a combinação entre valorização imobiliária e alta demanda por locações de curta duração amplia o potencial de retorno para investidores, principalmente quando os empreendimentos estão localizados próximos a centros comerciais, polos empresariais, universidades, hospitais e áreas com grande circulação de visitantes.

Além da localização, os novos empreendimentos passaram a incorporar diferenciais voltados ao perfil do hóspede moderno. Coworkings, lavanderias compartilhadas, academias, bicicletários, minimercados, lockers para encomendas e áreas de convivência já fazem parte dos projetos lançados por diversas incorporadoras.

Goiânia acompanha tendência nacional

Embora destinos turísticos tradicionais concentrem boa parte das reservas, Goiânia também passou a despertar interesse de investidores em aluguel por temporada. A capital goiana reúne características que favorecem esse modelo de negócio, como forte turismo corporativo, realização frequente de feiras, congressos, eventos médicos, shows e atividades ligadas ao agronegócio.

A cidade ainda recebe diariamente estudantes universitários, pacientes em tratamento de saúde, representantes comerciais e profissionais que permanecem por períodos curtos, ampliando a demanda por imóveis mobiliados e prontos para ocupação.

Esse cenário vem estimulando o lançamento de empreendimentos compactos em bairros como Setor Marista, Jardim Goiás, Bueno e regiões próximas aos principais centros empresariais e hospitalares. Para o mercado, a diversificação do público reduz a dependência da sazonalidade típica dos destinos exclusivamente turísticos e contribui para manter taxas de ocupação ao longo de praticamente todo o ano.

Divulgação/ Airbnb

Itajaí mostra potencial do modelo

Entre os exemplos mais citados pelo mercado está Itajaí, em Santa Catarina. A cidade aparece entre os principais destinos para investidores em locação de curta temporada por reunir turismo, atividade portuária, logística, comércio, indústria, setor náutico e universidades.

Segundo o Índice FipeZAP, o município já registra preço médio superior a R$ 13 mil por metro quadrado. Levantamento da plataforma MySide coloca Itajaí na quarta posição entre as melhores cidades brasileiras para investimento em aluguel de curta duração, estimando rendimento anual médio de 15,5%, já considerando despesas com mobília, manutenção, taxas das plataformas e custos operacionais.

Para Charles Kan, CEO da Construtora CK, cidades com economia diversificada oferecem maior previsibilidade ao investidor.

“Itajaí reúne turismo, porto, logística, universidades e uma economia ativa durante todo o ano. Isso reduz a dependência da alta temporada e amplia as oportunidades para quem busca renda com locação de curta duração”, afirma.

 

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