quarta-feira, 22 de julho de 2026
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Escolha do vice de Daniel coloca agro e evangélicos na balança

José Mário Schreiner e Luiz do Carmo representam eleitorados estratégicos na disputa; ambos sinalizam permanência na base, mas escolha pode influenciar mobilização de setores importantes

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 22 de julho de 2026 às 06:00
Zé Mário, Luiz do Carmo e Adriano Rocha Lima
Além dos dois nomes, Adriano da Rocha Lima permanece como alternativa. Fotos: André Costa, Waldemir Barreto/Agência Senado e Reprodução

Bruno Goulart

A escolha do candidato a vice-governador na chapa de Daniel Vilela (MDB) tornou-se uma das principais decisões políticas da base governista para as eleições deste ano. Dois nomes concentram as discussões: o ex-deputado federal José Mário Schreiner, ligado ao agronegócio, e o ex-senador Luiz do Carmo, representante do segmento evangélico. Enquanto isso, o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima continua citado como uma terceira possibilidade. Todos são do PSD. A definição deve ocorrer apenas na convenção do MDB, marcada para 5 de agosto, no Centro de Convenções de Goiânia.

A decisão coloca dois eleitorados importantes na balança. De um lado, Zé Mário tem ligação com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), com produtores rurais e com sindicatos espalhados pelo interior. Do outro, Luiz do Carmo aposta na relação com igrejas e lideranças evangélicas, além de seu histórico de fidelidade ao grupo liderado pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).

O HOJE questionou os dois postulantes sobre o comportamento que terão caso não sejam escolhidos. Luiz do Carmo afirma que continuará a trabalhar pela campanha do governador, mesmo que fique fora da chapa. “Quero ser o vice, mas, se não der certo, vou trabalhar do mesmo jeito para eleger Daniel no primeiro turno”, declara à reportagem.

Pessoas próximas a Zé Mário também afirmam que o ex-deputado continuará na base governista caso não seja escolhido. A dúvida, porém, está na capacidade de manter o agronegócio mobilizado em torno da candidatura de Daniel. “O agro, no geral, é mais de direita e, sem o Zé Mário na vice, pode não se mobilizar a favor de Daniel”, avalia uma fonte ouvida pela reportagem.

Respaldo nos números

A preocupação encontra respaldo nos números. Pesquisa do Instituto Diagnóstico, encomendada pela Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg), mostra Daniel mais forte entre os evangélicos, enquanto Wilder Morais (PL) apresenta vantagem no agronegócio.

Em um dos recortes do levantamento, entre os entrevistados que declaram voto em Daniel, 21,4% são ligados ao agronegócio. Entre os eleitores de Wilder, o percentual chega a 31,7%. A avaliação de aliados é de que, sem Zé Mário na chapa governista, o pré-candidato do PL pode encontrar mais espaço para ampliar a vantagem nesse setor.

O cenário se inverte entre os evangélicos. Dos entrevistados que dizem votar em Daniel, 33,9% pertencem ao segmento. Entre os eleitores de Wilder, são 9,3%. Dessa forma, a escolha de Luiz do Carmo poderia reforçar um grupo no qual o governador já apresenta bom desempenho, enquanto a indicação de Zé Mário buscaria reduzir uma fragilidade diante do principal candidato da direita.

A pesquisa contempla entrevistas feitas em diferentes regiões de Goiás, inclusive na capital Goiânia. Foram entrevistados 1.100 eleitores goianos entre os dias 15 e 18 de junho. A margem de erro é de 4,84 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. Contratado pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07435/2026.

Redução de riscos

Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, a escolha precisa considerar, acima de tudo, a redução de riscos. “No processo eleitoral, é fundamental mitigar riscos. Muitas vezes, você ganha uma eleição errando menos”, afirma ao O HOJE.

Na avaliação do especialista, Zé Mário apresenta maior capilaridade eleitoral por causa da estrutura da Faeg e da presença dos sindicatos rurais no interior. “Você precisa escolher um vice que tenha voto e capilaridade. A minha preferência é pelo Zé Mário, por causa da estrutura existente em torno da Faeg”, analisa.

Zancopé considera que Luiz do Carmo tem como ativos o histórico de lealdade e a ligação com o meio evangélico. No entanto, questiona se essa força seria suficiente para garantir votos em todas as regiões do Estado. Segundo o historiador, o comportamento do eleitor evangélico mudou nos últimos anos e nem sempre segue de forma automática a orientação de suas lideranças.

Além dos dois nomes, Adriano da Rocha Lima permanece como alternativa. Ex-secretário-geral de Governo, Rocha Lima representa um perfil mais técnico e esteve diretamente envolvido na formulação e na execução de programas da gestão Caiado. A dúvida, nesse caso, é se o reconhecimento administrativo seria convertido em votos durante a campanha.

Citação já engrandece Rocha Lima

Para o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG) Felipe Fulquim, Adriano não será enfraquecido caso não seja escolhido. “Só o fato de ter sido colocado nesse páreo e cotado para ocupar a função de vice-governador já o enaltece”, afirmou.

Fulquim avalia que o ex-secretário deve continuar com espaço no grupo governista. “Muito provavelmente, em um eventual governo de Daniel, ele voltará a ter espaço como secretário, seja em alguma pasta na qual já tenha atuado, seja em uma área para a qual tenha experiência e conhecimento técnico.” (Especial para O HOJE)

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