Após meses de indefinição, PT goiano tenta recuperar tempo perdido na corrida ao governo
Com Luis Cesar Bueno escolhido já no fim da pré-campanha, partido entra na eleição em desvantagem na disputa pela consolidação de alianças e mobilização da militância
Ao que tudo indica, o PT irá oficializar o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como o candidato ao governo estadual na convenção do partido, marcada para 1º de agosto. Porém, os meses de indefinição sobre quem representaria os petistas na disputa pelo Palácio das Esmeraldas fazem com que a sigla chegue às vésperas do início da campanha eleitoral com o desafio de recuperar o tempo perdido.
A demora foi resultado de uma sucessão de tentativas frustradas para definir quem encabeçaria a chapa. Inicialmente, o vereador Edward Madureira era apontado como favorito para disputar o governo. A decisão do parlamentar de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados fez o partido voltar à estaca zero. Com isso, o advogado Valério Luiz Filho, o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor), Cláudio Curado, e o próprio Luis Cesar Bueno colocaram seus nomes à disposição do partido, em janeiro deste ano.
A definição começou a ganhar contornos mais concretos meses depois. Em maio, a presidente estadual da legenda, deputada federal Adriana Accorsi, tentou viabilizar o nome do produtor rural de Rio Verde, Flávio Faedo, mas as negociações não avançaram e o empresário também desistiu da missão de representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo governo estadual. Com a saída de Faedo, Cesar Bueno foi o escolhido.
Impasse com a direção nacional
Mesmo após a decisão do diretório estadual de lançar o ex-deputado, a direção nacional do PT e Lula continuaram a defender uma candidatura de Accorsi ao governo e da vereadora Aava Santiago (PSB) ao Senado. No início deste mês, as duas se reuniram com o presidente e recusaram o pedido do chefe do Executivo para que integrassem a chapa majoritária.
Na avaliação do consultor em marketing político e estrategista Marcos Marinho, o atraso na definição do nome custou ao partido um período importante de mobilização política. “A partir do momento em que já ficou claro que a Adriana não queria ser candidata a governadora e que a Aava não queria concorrer ao Senado, o correto era que o PT já abraçasse e encampasse a campanha do Luis Cesar”, observa em conversa com a reportagem do O HOJE.
Parte do objetivo principal
Desde o início, o partido trata a entrada na disputa pelo governo estadual como um acessório para cumprir o objetivo principal, que é entregar um palanque robusto para defesa do governo Lula em Goiás. Entretanto, a indefinição resultou na inércia do partido, que pouco fez no período de pré-campanha.
Enquanto o PT buscava um consenso, o governador Daniel Vilela (MDB), o senador Wilder Morais (PL) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), rivais na disputa pelo governo, já percorriam o interior do Estado e articulavam alianças políticas para a eleição em outubro.
Na avaliação de Marinho, a indefinição prolongada acaba por desmobilizar parte das lideranças locais. “A demora vai gerando dúvida na cabeça das pessoas. Se você não atrai o grupo, essas pessoas vão se dispersando e se aproximando de outros projetos políticos. O PT chega com menos potência neste estágio do processo. Já podia estar bem melhor”, avalia.
Apesar do diagnóstico, Marinho aponta que ainda há tempo para o PT reduzir os prejuízos causados pela demora. Para isso, segundo especialista, será necessário que a legenda invista recursos e intensifique a mobilização da militância em torno da candidatura de Luis Cesar Bueno.
Eleitorado fiel
Marinho destaca que o partido possui um eleitorado fiel em Goiás e chapas competitivas para deputado estadual e federal, mas afirma que isso, por si só, não garante uma campanha majoritária forte. Na avaliação do consultor, a candidatura ao governo precisa ser capaz de impulsionar também as demais candidaturas da legenda e fortalecer o palanque de Lula no Estado.
“Havendo investimento de recurso do partido, um trabalho contundente e dinâmico, é possível conseguir reaquecer a base. E a base reaquecida pode gerar um movimento que resulte em uma votação melhor lá em outubro. Mas, se não tiver investimento e uma atuação consistente, muito provavelmente vai dispersar o voto das esquerdas. E isso é ruim para o partido”, pondera.
Para Marinho, o momento exige que o PT concentre esforços na campanha. “Falta realmente ao PT esse trabalho conjunto. É parar um pouco as dissonâncias internas do partido e abraçar a causa. Abraçar a candidatura do Luis Cesar, se de fato ele é o candidato, e colocar a coisa em marcha. Precisa investir e fazer um bom barulho agora para tentar recuperar um pouco do tempo perdido”, conclui.
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