Tarifas

Exceções dos EUA ampliam desvantagem do Brasil e reduzem competitividade de exportadores

País ficou fora de listas adicionais de isenção concedidas a 13 economias e enfrenta tarifa de até 37,5% sobre parte das exportações

Eduardo Silvapor Eduardo Silva em 25 de julho de 2026 às 09:32
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Presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: Molly Riley/ Casa Branca

As listas adicionais de exceções tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos para 13 economias devem ampliar a perda de competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano. Embora o Brasil esteja entre os países contemplados por uma lista geral de 2.113 produtos isentos da nova tarifa relacionada ao combate ao trabalho forçado, concorrentes como Argentina, Reino Unido, União Europeia e Malásia receberam isenções extras, o que reduz seus custos de exportação em diversos setores estratégicos.

Entre os segmentos mais afetados estão madeira processada, pedras preciosas, diamantes, esmeraldas, próteses médicas e leveduras. Segundo cálculos do economista Sergio Vale, da MB Associados, cerca de 3,4% das exportações brasileiras atingidas pela nova tarifa de 12,5% sofrerão concorrência direta de países beneficiados pelas exceções adicionais, o equivalente a aproximadamente US$ 470 milhões. Especialistas destacam ainda que Argentina, Equador, Malásia, Indonésia e Reino Unido passam a disputar o mercado americano em condições mais favoráveis em áreas como produtos florestais, equipamentos médicos, insumos industriais e bens de maior valor agregado.

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Na avaliação de analistas do comércio exterior, o principal problema, porém, não está apenas nas listas de exceção, mas na carga tarifária imposta exclusivamente ao Brasil. Além da nova alíquota de 12,5%, parte das exportações brasileiras já está sujeita à tarifa adicional de 25% anunciada anteriormente pelos Estados Unidos, elevando a tributação para 37,5%. Segundo especialistas, essa diferença cria uma desvantagem competitiva de até 27,5 pontos percentuais em relação a países que receberam tarifas menores ou benefícios adicionais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o tratamento diferenciado concedido pelos Estados Unidos pode dificultar ainda mais o acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. O governo norte-americano justifica as medidas afirmando que o Brasil não possui legislação equivalente à Seção 307, norma que proíbe a importação de bens produzidos com trabalho forçado. O governo brasileiro rejeita essa interpretação e sustenta que o país é referência internacional no combate ao trabalho escravo, classificando as tarifas como injustificadas e desproporcionais.

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