Após debate, Celina critica adversários por declarações sobre crise do BRB
Governadora afirmou que candidatos demonstraram “incapacidade” para compreender a operação de até R$ 6,6 bilhões negociada com o FGC e defendeu que a prioridade deve ser preservar a liquidez do banco
Após o primeiro debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal promovido pela Band, a governadora Celina Leão (PP) voltou a criticar os adversários pelas declarações feitas durante o confronto sobre a crise financeira do Banco de Brasília (BRB). Em manifestação após o debate, realizado no domingo (9/8), Celina afirmou que os candidatos demonstraram falta de preparo para tratar de uma operação que, segundo ela, é fundamental para preservar a instituição.
A governadora direcionou parte das críticas ao ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que questionou durante o debate a estratégia adotada para enfrentar a crise do banco. Segundo Celina, Arruda não teria compreendido a natureza da operação negociada com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Eu fico encabulada com a pergunta dos meus adversários sobre o Banco BRB. Demonstra a total incapacidade de cuidar desse problema. Quando o candidato Arruda fala que ele leu o documento, ele não sabe nem o que é FGC”, afirmou.
Celina se referiu ao empréstimo de até R$ 6,6 bilhões que vem sendo negociado para reforçar a estrutura financeira do BRB. A operação foi estruturada com participação do FGC e é considerada pelo governo uma medida necessária para recompor o patrimônio do banco após os impactos relacionados à operação com o Banco Master.
A governadora questionou ainda a interpretação dos adversários sobre os valores envolvidos na operação e afirmou que os R$ 6,6 bilhões correspondem a um empréstimo. “Os R$ 6,6 bilhões são um empréstimo. É isso que eu pergunto ao FGC: por que, em vez de emprestar R$ 6,6 bilhões ao banco, vocês querem deixar o banco sem liquidez e, depois, ter que pagar R$ 20 bilhões?”, questionou.
A crise do BRB se arrasta desde a tentativa frustrada de aquisição do Banco Master e provocou uma série de medidas para recompor o capital da instituição. Em comunicado ao mercado, o próprio BRB informou que a operação com o FGC fazia parte das alternativas avaliadas para enfrentar os impactos financeiros relacionados ao caso.
Outro ponto levantado por Celina foi a divulgação das demonstrações financeiras do BRB. A publicação dos resultados vem sendo adiada enquanto o banco busca concluir medidas de recomposição de capital e avançar na operação de crédito. A demora tem chamado a atenção do mercado: análise publicada pelo UOL apontou que a divulgação do balanço pode ter impacto inclusive sobre títulos subordinados emitidos pelo banco, cujo valor está relacionado aos indicadores de capital da instituição.
A governadora, no entanto, afirmou que os adversários não compreenderam a relação entre a divulgação do balanço e a necessidade de reforço da estrutura financeira do banco. “Quando saiu o balanço do BRB? É outra burrice que eles falavam no debate. O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado”, declarou.
O governo do DF trabalha para apresentar dados financeiros atualizados e levar ao Supremo Tribunal Federal os números referentes aos 12 meses até julho como parte das tratativas para destravar a operação de R$ 6,6 bilhões. A equipe econômica do GDF também afirma ter revertido uma projeção anterior de déficit de R$ 5 bilhões para uma expectativa de superávit de R$ 3 bilhões em 2026.
Celina também criticou candidatos de oposição, incluindo nomes ligados à esquerda e ao PT, por não atuarem, na avaliação dela, em defesa de uma solução para o banco. A governadora citou ainda manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas discussões envolvendo a operação.
“Os candidatos da esquerda, do PT, deveriam nos ajudar, e ainda o Lula pedindo o aval. Ele não tem nem leitura disso, não tem tamanho para assumir essa crise”, afirmou.
Para Celina, a discussão sobre o BRB ultrapassa a disputa eleitoral, uma vez que o banco possui relação direta com serviços públicos e com a folha de servidores do Distrito Federal.
“Essas pessoas não sabem o que está acontecendo. Eles estão preocupados com a campanha, eles estão tão preocupados de salvar o banco ou não”, disse. A governadora afirmou ainda que pretende utilizar as redes sociais para rebater as declarações feitas pelos adversários durante o debate.
“Nós vamos desmentir isso no nosso Instagram, nas nossas redes, para demonstrar quem tem capacidade de cuidar dessa cidade”, concluiu.
O impasse em torno do BRB tornou-se um dos principais temas da corrida eleitoral no Distrito Federal. Arruda já vinha defendendo publicamente alternativas diferentes das apresentadas pelo governo, incluindo a utilização do banco como agente financeiro do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e mudanças na atuação da instituição.
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